Afastado do Botafogo, John Textor volta a citar Vasco, Pedrinho e 777 em entrevista
John Textor chegou no Botafogo, investiu, viu o time ser campeão, mas também se envolveu em polêmicas e, recentemente, foi destituído de poderes no clube. A Itatiaia entrevistou com exclusividade o empresário estadunidense, que segue relevante entre parte da torcida. Ele se mantém propenso a retomar o posto de dono da SAF e segue disparando críticas aos oponentes. Nesta penúltima parte, ele projeta o futuro do futebol alvinegro e cita até um rival do Glorioso.
“Estamos em uma encruzilhada, certo? Eu sou o proprietário das ações. Estou na Justiça provando que sou o proprietário das ações. Tenho o capital e tenho parceiros que são pessoas extraordinárias do futebol, que conhecem e amam o Brasil. E estou ansioso para deixá-los assumir a liderança em muitas das decisões do futebol, porque os conheço muito bem.”, projetou Textor sobre os empresários. E detalhou:
“Essa é justamente a única coisa que eu não conhecia sobre meus parceiros anteriores: Michele (Kang, do Lyon) e os outros. Quer dizer: eu conheço o Kia (Joorabchian) e o Evangelos (Marinakis) muito bem. Eu sei que tipo de parceiros eles são, que tipo de pessoas eles são. São pessoas extraordinárias, que cuidam das pessoas e das coisas que amam.”, completou.
Textor, portanto, reforça, em diferentes momentos da entrevista, que o melhor futuro que vislumbra para o Botafogo é com ele e os outros dois empresários citados. E projeta:
“Quando digo que campeonatos são construídos com amor? se seguirmos por esse caminho, vamos conquistar muitos outros títulos. Eles não virão todos os anos. Talvez nem venham a cada três anos. Mas eles virão. E, ao longo de 20 anos, conquistaremos vários títulos. Se acabarmos escolhendo outro caminho, vamos trazer dinheiro para nos associarmos ao clube social. E acho que seremos um clube muito mediano. Acho que vamos ficar no meio da tabela. Acho que estamos trazendo pessoas que gostam de tirar dinheiro das coisas, em vez de colocar dinheiro nelas”, disparou Textor, antes de completar:
“Se tomarmos a decisão errada agora, acho que o nosso clube vai sofrer. Acho que será um clube mediano. Não vejo títulos no nosso futuro. É isso. E quantas vezes o time foi rebaixado tendo o poderoso (Carlos Augusto) Montenegro como a principal força do clube social? Você vai ter que me dizer. Quando você é rebaixado três vezes nos últimos 25 anos? então eu me preocupo com isso. Porque, sendo eu o proprietário ou não? eu sou um verdadeiro carioca honorário (risos). Eu me preocupo com o clube. Estou lutando por isso porque quero nos ver conquistando mais títulos. E acho que temos o time (de dirigentes) dos sonhos para fazer isso”, insistiu.
Montenegro foi presidente do clube entre 1994 e 1996. Era ele o mandatário na época do título do Campeonato Brasileiro. Textor entende que o histórico dirigente – de quem já foi próximo, mas hoje processa na Justiça estadunidense – teve participação nos rebaixamentos, ocorridos em 2002, 2014 e 2020. E ele insiste no que entende como duelo entre modo SAF e o modo de agir do clube associativo.
“Eu gostaria que os nossos torcedores pressionassem o clube social para acabar com esses jogos bobos. Gostaria que o Brasil defendesse a SAF, porque ninguém mais vai investir no futebol brasileiro se, toda vez que alguém vier, colocar dinheiro e investir, o clube social recorrer a um juiz e tomar tudo de volta”, criticou Textor, utilizando um rival da cidade como exemplo.
“Olhem o que está acontecendo com o Vasco. O Vasco tinha bons motivos para se preocupar com a 777 (Partners, ex-proprietária da SAF cruz-maltina). Sabe, eu sempre dizia: ‘Nós não somos o Vasco.’ Isso era até um elogio ao Pedrinho (presidente do clube), porque o que eu queria dizer era que nós não éramos o Vasco. Nós não tínhamos a 777. Nós não tínhamos fraude”, analisou Textor, e acrescentou:
“Mas depois que ele entrou e retomou o controle do clube, ele não trouxe o capital de volta. Não trouxe outro investidor. Ele deveria ter encontrado outro parceiro para a SAF. Mas agora ele é afastado do clube. Eles já passaram por recuperação judicial. Ainda têm uma dívida de 300 milhões. Provavelmente precisarão passar por Recuperação Judicial novamente”, analisou o estadunidense, comparando as brigas judiciais dos clubes.
Na sequência, John Textor volta a exaltar as conquistas esportivas do Botafogo quando estava sob sua administração. E citou até o relator da Lei da SAF, imaginando a frustração dele com as atuais disputas no Glorioso.
“Se a SAF que ganhou o Campeonato Brasileiro, ganhou a Libertadores, venceu o PSG na Copa do Mundo de Clubes e, depois, ficou entre os cinco melhores clubes do mundo na Bola de Ouro? se esse clube for destruído pelo seu clube social, quem vai investir no Brasil de novo? Sinceramente, eu não sei. Este não é apenas um problema dos torcedores do Botafogo. Acredito que seja um problema para o Brasil. Porque o senador (Carlos) Portinho (PL-RJ) e algumas das outras pessoas que criaram a (Lei da) SAF, não podem estar felizes neste momento vendo o que está acontecendo.”, afirmou, antes de concluir:
“Porque isso era para trazer dinheiro ao Brasil. Trazer mudanças para o Brasil. Provar, como eu disse no jogo contra o Fortaleza, que o meu trabalho era mostrar isso para o resto do mundo. Então o que estamos mostrando a eles? Estamos mostrando ao resto do mundo que você pode colocar 200 milhões de dólares em um empreendimento de futebol, que eu posso colocar 100 milhões – junto com outros investidores no Brasil – e esse dinheiro simplesmente evaporar porque alguém conhece alguns juízes no Rio.”, lamentou.
Fonte: Itatiaia
