Confira mais trechos da entrevista coletiva de Fernando Diniz após Urubu 1 x 0 Vasco

Confira mais trechos da entrevista coletiva de Fernando Diniz após Urubu 1 x 0 Vasco

O Vasco perdeu para o Flamengo no clássico desta quarta-feira à noite, no Maracanã – 1 a 0, gol de Carrascal no segundo tempo. O jogo foi válido pela terceira rodada do Campeonato Carioca. O time de Fernando Diniz jogou quase todo o segundo tempo com um jogador a menos – Cauan Barros foi expulso aos quatro minutos da etapa complementar.

Na terceira posição do grupo A, com quatro pontos em três jogos, o Vasco volta a campo no domingo, às 20h30, em Bacaxá, para enfrentar o Boavista.

Depois do jogo, o técnico do Vasco não escondeu o descontentamento com a expulsão de Cauan Barros. Sem meias palavras, criticou o juiz Bruno Arleu que expulsou seu volante com vermelho direto.

– É uma expulsão, para mim, ridícula, um negócio sem sentido. Eu sinceramente ainda não consegui entender. Teve um lance um pouco antes no primeiro tempo, com o Andrés Gómez, que o cara chuta no alto, pega no pé dele… eu nem acho esse lance para expulsão, mas esse (do Barros) foi muito menos. O cara está passando, não sei se o Barros tentou dar um “totó” no cara. Não tem nada, não tem força excessiva, risco de lesionar o jogador, nada. Aí tem uma câmera que eles pegam, que para, com a perna da chuteira do Barros perto da panturrilha… Não tem força nenhuma ali, zero. É uma expulsão que condiciona muito o que poderia ser o segundo tempo. No primeiro tempo o Flamengo jogou melhor e, quando voltou o segundo tempo, a impressão é de que o jogo ia ser outro. Você vai ver que o campeonato vai acontecer, Carioca e Brasileiro, e o critério não vai ser o mesmo. Um lance como esse não vai acontecer a expulsão. Com aquela contundência ainda, com aquela vontade de expulsar, vai ser muito difícil acontecer – criticou Diniz.

O treinador vascaíno não deixou, porém, de reconhecer a superioridade do Flamengo no primeiro tempo da partida.

– Acho que o Flamengo jogou melhor que a gente no primeiro tempo. A gente não ficou à vontade para fazer o jogo que precisava. No segundo tempo, com um jogador a menos, a gente podia ter mais coragem para fazer o jogo que era necessário. A gente voltou para o segundo tempo com uma postura diferente, com correções, embora tenha sido só cinco minutos – comentou.

Diniz destacou a chance criada e o gol perdido por GB no primeiro tempo – o substituto de Rayan finalizou de pé direito em passe de Paulo Henrique. A bola saiu à direita do gol de Rossi.

– Eu até acho que em alguns momentos a gente devia acelerar e tocou a bola mais para trás do que devia. Os nossos melhores momentos foram quando a gente saiu jogando de trás. Inclusive, a chance, a melhor chance que a gente teve com o GB, foi uma troca de passe bem feita, com paciência, com bom ritmo – disse o treinador do Vasco.

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“Vai ser muito difícil achar outro Rayan”

Nem Vasco nem Bornemouth anunciaram ainda o desfecho do negócio, mas Rayan não atuou pelo time vascaíno e é passado para Fernando Diniz. O treinador ficou entre o lamento e o olhar para a frente depois de perder seu principal jogador. O garoto está sendo vendido ao futebol inglês.

– Temos que pensar para a frente agora. Obviamente que, se o Rayan estivesse hoje, ele teria feito coisas positivas no jogo porque ele era o grande destaque do nosso time no ano passado e começou a temporada sendo o grande destaque do time. Nesse momento ele ainda faz falta, a gente vai ter que se virar com chegada de outro jogador e, enquanto isso, com aquilo que tem para a gente suprir a ausência do Rayan. Jogando de outra maneira, com outra característica. Vai ser muito difícil achar outro Rayan. A gente não vai ter 35 milhões de euros para pagar num jogador, que é o valor pelo qual o Rayan foi vendido. E acho que ele valia até mais – avaliou Diniz.

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Você tentou convencer o Rayan a ficar?

– O Rayan que pediu para não jogar, foi uma decisão dele. Acho que os valores poderiam ser maiores. Tudo que eu poderia fazer para o Rayan ficar eu fiz. Talvez até um arrependimento foi não ter feito mais no ano passado, porque essa situação do Rayan era uma situação para mim muito clara de que ele ia avançar na carreira dele. Era para eu já ter conversado. Era para ter falado: vai acontecer isso, isso e isso, você não pode sair e não deve sair. Eu acho que é um risco que ele corre de sair agora. Aqui eu acho que, esportivamente, eu sou muito convicto de que, por mais que ele possa ir bem lá, não muda o que eu penso: a decisão mais acertada do Rayan era permanecer aqui por mais uma temporada. Pelo jeito como ele terminou e principalmente pelo jeito que ele começou a temporada, que ele voltou nos treinamentos e o primeiro jogo contra o Maricá é uma amostra da maneira como ele voltou… ele tinha tudo para ter um ano maravilhoso aqui no Vasco e contribuir muito com a equipe e com o futebol brasileiro como um todo. A gente perde muito cedo os jogadores. A gente torce agora para, se confirmar de fato a ida, que ele consiga se sentir à vontade no time para o qual ele está indo, que ele consiga se tornar o jogador que o potencial dele permite, que é ser uma estrela do futebol internacional. O Rayan é um jogador, para mim, muito diferente. A reposição, para mim, é quase impossível no mesmo nível. Ele tem um espaço de crescimento gigante, isso para mim é muito claro. Ele faz tudo muito bem. O que estava acontecendo aqui é que ele foi gostando, foi percebendo o potencial e foi gostando daquilo que ele foi se reconhecendo. Um jogador muito diferente, uma pena que ele saiu.

O que esperar do Hinestroza?

– O Hinestroza é um jogador com características um pouco parecidas com as do Andrés Gómez, um jogador rápido, com bastante energia física, com boa técnica, que estava aqui na base do Palmeiras por dois anos. No ano passado a gente acabou acompanhando ele com mais intensidade no Atlético Nacional, que ele acabou caindo na chave do Inter. Na janela do meio do ano a gente já tinha tentado o Hinestroza. Acho que é um jogador que tem tudo para vir e nos ajudar.

O que faltou hoje para o Vasco jogar com grandeza?

– Acho que faltou jogar dentro das nossas características. O aprendizado continua. A gente não foi um Vasco grande somente no primeiro tempo. É um aprendizado. Isso você pode ter certeza: a gente vai trabalhar para aprender a jogar com a grandeza que a gente precisa. A gente poderia ter jogado muito melhor no primeiro tempo. O espaço que teve para jogar bem no segundo tempo foi muito pouco, com a igualdade numérica por cinco minutos apenas. Mas no primeiro tempo era para ter jogado bem melhor. Vamos aprender, vai ter que jogar melhor. Vai ter outros clássicos, vamos jogar de novo contra o Flamengo, se não for agora no estadual, vai ser no Brasileiro, em outras competições. Nesse sentido, a gente vai fazer melhor do que a gente fez hoje.

Tabu contra o Flamengo (13 jogos sem vencer)

– Eu não acho que atrapalhou no jogo de hoje. Acho que a gente jogou mal no primeiro tempo, a gente saiu jogando em algumas vezes com lentidão, não todas as vezes. Uma coisa que a gente também fez muito mal foi demorar muito a pressionar o Flamengo. Nas vezes em que pressionou, o Rossi chutou a bola para fora ou chutou para frente sem direcionamento. Faltou jogar mais dentro das nossas características e fazer uma partida melhor. Repito: aparentemente, quando a gente voltou para o segundo tempo, o jogo ia ser outro. Tudo indicava que a gente ia ter uma postura mais agressiva tanto na marcação quanto com a bola.

Por que Vasco não conseguiu pressionar o Flamengo?

– Eu acho que faltou circulação. O maior erro nosso foi jogar fora das nossas características hoje. Por incrível que pareça, no segundo tempo, com um jogador a menos, a nossa chance era se aproximar, ganhando campo do Flamengo de maneira paulatina para chegar com mais gente no ataque. As chances que a gente teve foram dessa forma. Obviamente que teve um lance que ele (árbitro) teve uma contundência muito grande para marcar o impedimento, da bola na trave. Se entra, seria gol. Mas o Flamengo não estava oferecendo tantas bolas nas costas hoje. Quando a gente se dispôs a jogar com mais velocidade, circulando a bola de um lado para o outro, a gente conseguiu empurrar o Flamengo para trás e criar boas situações… não foram muitas. No primeiro tempo houve duas, principalmente aquela com o GB.

O que passou pela cabeça do momento da expulsão até o gol? Demorou a mexer?

– Eu não acho que o Flamengo voltou (do intervalo) superior a gente. Se pegar os cinco minutos do jogo que eu assisti você vai ver que não é isso que você está falando. O time mais treinado para defender da forma que eu coloquei era o time que eu ia manter para tentar sustentar o 0 a 0. Eu não acho que a gente ia conseguir, da maneira como o Flamengo estava posicionado, jogar numa postura capaz de escapar em contra-ataque. Porque a gente teve que baixar bastante a linha, então o contra-ataque ia ser difícil para a gente ter. Um pouquinho antes da parada técnica o Flamengo fez o gol, era uma mexida que eu já ia fazer, só estava esperando a parada técnica. Eu mantive a estrutura porque, se a gente fosse subir com um jogador a menos, aí sim a gente teria menos condições de fazer um gol e mais condição de tomar mais gols. Ficou um placar de 1 a 0. A estratégia era tentar, como conseguiu algumas vezes, furar com posse, sair e se posicionar no campo de ataque, terminar uma ou outra jogada para tentar fazer nosso gol de empate. Quanto a substituir, se mexe de maneira equivocada e toma como foi 6 a 1, com jogador expulso, a gente ia ter outro tipo de discussão aqui. A gente tem que ter critério, responsabilidade e saber o que está acontecendo no jogo. A nossa chance de ganhar diminuiu quando teve a expulsão. A gente estava procurando se defender bem, o Léo Jardim fez algumas defesas, mas não teve chances contundentes. Por mais que você tivesse a impressão de que ia tomar o gol, o jogo poderia também ter terminado 0 a 0. Foi um gol só. Não teve chance na cara do Léo Jardim. Maioria das chances do Flamengo foram cabeçadas, chutes de fora da área, um ou outro lance que o jogador levou vantagem dentro da área e chutou. Mas chances criadas, com defesa muito difícil, eu não vi.Teve o volume natural, de quem está com um jogador a mais e de um time que tem bastante qualidade.

Não faltou um jogo associativo com o Paulo Henrique na direita?

– Pode ser que sim, eu não discordo da tua análise. Mas, de maneira geral, o Paulo Henrique, quando fica isolado, é uma estratégia que a gente tem. Ele quase sempre leva vantagem. Estava um jogador jovem do Flamengo ali. Independentemente de quem marca o PH no um para um, o normal é ele levar vantagem na maioria dos lances. Ele não conseguiu muitas hoje, mas não foram tantas bolas assim que ele teve a chance de duelar um para um. Mas esse tipo de inversão para ele a gente tem muita confiança, quando ele pega numa situação de um para um. Às vezes o Rayan ficava lá aberto em vez do PH. Infelizmente hoje também não funcionou muito, mas eu concordo que poderia ter um pouco mais de jogo associativo daquele lado.

O que o Vasco pode melhorar para o próximo jogo?

– Hoje faltou bastante coisa. De todas as perguntas feitas, a maioria foi com pertinência. A gente fez um primeiro tempo muito ruim. Repito: a gente pressionou mal, não marcou bem em linha média-baixa e a gente teve um jogo em alguns momentos muito lento, com pouca imposição para chegar no ataque de maneira mais contundente. No primeiro tem que melhorar quase tudo. No segundo infelizmente teve a expulsão, que condiciona muito o resultado do jogo. Mas repito: nos cinco minutos iniciais, a partida se mostrava bem diferente porque a gente fez muita correção no intervalo, o time ia pressionar mais rápido. Provavelmente naqueles cinco minutos a gente teve mais posse que o Flamengo, a gente estava conseguindo ser mais vertical, com um pouquinho mais de aceleração. Mas o jogo depois da expulsão ficou condicionado de outra maneira.

Entrada do Saldivia foi para ter uma construção melhor?

– Não. O Cuesta pediu para sair, ele estava sentindo dor. Não foi tática a substituição, foi uma necessidade.

Faltou ambição?

– Acho que faltou, eu concordo com você. O que foi pior no jogo do Vasco hoje foi uma questão de comportamento. A gente tinha tudo para jogar muito melhor, marcar muito melhor e jogar muito melhor. Foi uma coisa de comportamento. A gente tem que ser criticado por isso. A gente não pode ter o comportamento que a gente teve no primeiro tempo. Não é o jeito que eu quero que o Vasco jogue e não é o jeito que o Vasco tem que jogar. É uma coisa que a gente tem que aprender e aprender rápido, não pode repetir esse tipo de comportamento.

Nível físico foi um problema?

– Difícil falar. O jogo de hoje não teve nada a ver com parte física. Se fosse assim, o time deveria jogar muito pior no 2º tempo e deveria jogar pelo menos bem uns 15 ou 20 minutos do 1º tempo. O time está bem fisicamente e em condições de produzir um grande jogo. Deu para ver contra o Maricá. Fisicamente também contra o Maricá. Jogou mais de um tempo com um a menos e conseguiu produzir chances. Se defendeu bem também. Hoje o problema não tem a ver com a parte física. Um problema tático, mas que tem muito a ver com comportamento também.

Dá para fazer frente ao Flamengo sem grandes contratações?

– Claro que dá para fazer frente. Tem que dar sempre. Desde 2019, quando o Flamengo foi montando esses times nessa passagem mais vencedora da história do Flamengo. A gente tem que ter comportamento diferente. Tínhamos que jogar muito melhor o 1º tempo. Esse jogo tem que servir de lição. Temos que jogar de maneira diferente, ter uma postura diferente. Não só contra o Flamengo. Isso nos grandes jogos, clássicos… a gente terminou muito bem a temporada nos grandes jogos. Contra o Fluminense, dois jogos importantes, clássicos, depois o Corinthians. Por mais que a saída do Rayan pese, isso não é o motivo para termos jogado abaixo no 1º tempo.

O que esperar do Brasileirão?

– Acho que foi um ponto fora da curva o que fizemos hoje. Acredito no time, acredito que vamos melhorar, faremos melhor do que no ano passado. E acredito que o torcedor terá mais motivo para sorrir do que teve no ano passado.

Quem irá a campo contra o Boavista?

– Ainda vamos decidir. Não quero antecipar. Depois antecipamos e mudamos e vocês vão me cobrar. Não gosto de fazer essa antecipação.

Onze expulsões em seu comando. Descontrole emocional?

– Situações muito diferentes as expulsões. Expulsão do Piton na altitude que ele chega atrasado, do Hugo Moura também chega atrasado contra o Fortaleza. A de hoje a expulsão é por erro da arbitragem. As expulsões são diferentes. Eu não vejo muita expulsão no nosso time por descontrole emocional. A do Piton foi um erro de saída que ele perdeu uma bola fácil e fez a falta, era ultimo homem. Até acho que foi falta nele antes do lance, mas ele ficou de pé e acabou fazendo a falta e sendo expulso contra o Maricá.

– Eu não acredito que tenha expulsão aí por descontrole emocional, que jogador deu porrada no outro contundentemente. Eu não vi expulsões por causa de descontrole. Mas é uma coisa que a gente tem que corrigir, descobrir o que tem de comum em algumas delas para evitar que elas aconteçam porque elas acabam na maioria das vezes determinando o resultado dos jogos.

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Fonte: ge