Sérgio Frias publica histórico detalhado da parceria Vasco-Nations Bank e seus desdobramentos
No Instagram, há cerca de dez dias, foi publicada uma tese sobre Vasco, Nations Bank, consequências, dias atuais, com uma narrativa que induz o leitor a concluir algo díspar dos fatos. É a terceira vez nos últimos meses que vemos o assunto abordado em contas do Instagram. Nas outras comentários foram feitos na própria página que publicou sua tese mas, desta vez, optamos por publicar uma nota de elucidação, com mais detalhes sobre o histórico.
Tanto nessa oportunidade, como nas outras duas (em contas diferentes do Instagram) o método para publicação foi o mesmo: imagens (serão aqui reproduzidos apenas os textos delas), com, eventualmente, alguma matéria de mídia que busque balizar algumas afirmações feitas.
O teor daquilo que está nas imagens será transcrito, as imagens postas detalhadas e a elucidação virá imediatamente abaixo.
Imagem 1
“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…
Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.
Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro destruiu um clube campeão?”
ELUCIDAÇÕES:
“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões em uma dívida de 100 milhões em 3 anos”. Falso.
Vamos, inicialmente, à dívida do Vasco, que no início de 2001 se configuraria, sem reservas para contingências, ou seja, sem contar ações que o Vasco respondia, mas não havia perdido na Justiça, em definitivo.
O Vasco já possuía uma dívida superior a R$100 milhões de reais na virada do século.
Vejamos:
O Vasco perdeu aproximadamente R$60 milhões (no balanço de 1999 o número era de R$52.243.741,00) referente a ativos com atletas, em virtude da Lei Pelé, com o fim do passe. Isso se deu no início de 2001.
O Vasco tinha uma dívida fiscal acumulada e estava no REFIS. O número de débito com o IR era de R$23.921.234,59, anunciado anos depois, do FGTS R$10.842.794,70, também anos depois, e do INSS era, também, muito elevado.
O clube comprara o passe de Euller em agosto de 2000, mas não pudera pagar (8,6 milhões de reais foi o valor da compra), devia quase três meses de salários e outros mais em termos de direitos de imagem, visto que o Bank of America não pagou os U$12 milhões que davam lastro a vários gastos do clube.
Havia, ainda, uma confissão de dívida em favor da Rede Globo, fruto de cotas adiantadas, na ordem de 37,4 milhões. Boa parte desse valor o Vasco tinha como expectativa que o banco sanasse, pagando à emissora, o que não ocorreu, e isso levou o clube a processar o banco, ganhando a ação, em dezembro de 2001, e, com isso, o direito de receber o montante contratual acordado e não pago.
Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro (conseguido por Eurico Miranda) se deu?
Por que acabou?
Quais prejuízos trouxe ao clube o seu descumprimento por parte do banco?
E como o Vasco, apesar disso, conseguiu, até a troca de gestão no clube, em 01/07/2008, manter-se em situação muito melhor financeira, se comparado aos outros três grandes do Rio?
Vamos entender para não repetir despautérios ou fazer condensações de outras publicações que surgem na rede, a fim de criar uma tese, que tende a ser uma distorção.
Sigamos.
Imagem 2
“Nos anos 90, o futebol brasileiro entrou em uma nova era.
Dinheiro da TV, patrocínios milionários, a promessa de clubes mais profissionais…
E foi nesse cenário que, em 1998, o Vasco assinou um acordo que parecia mudar tudo.”
ELUCIDAÇÕES:
Nos anos 1990 o Vasco conquistou um tricampeonato carioca (1992/1993/1994) e um campeonato brasileiro (1997) com a estrutura que tinha.
O Palmeiras, em 1992, fechou um contrato com a Parmalat e vários clubes fizeram parcerias, nos últimos, dois três, quatro anos do milênio, com empresas que se dispunham a investir no futebol brasileiro. O Vasco fez a sua com o Nations Bank (1998), Flamengo e Grêmio com a ISL (1999); Corinthians com o banco Excel (1997), depois com a HTMF (1999); Cruzeiro com a HTMF (1999), entre outros.
O dinheiro da TV já existia (para todos os clubes), os patrocínios, no caso do Vasco, seriam obtidos pela VGL (Vasco da Gama Licenciamentos), que teria os direitos sobre a marca para negociar contratos referentes ao tema e ter 50% do valor deles para si, enquanto o Vasco receberia os outros 50%.
Não foi o banco um patrocinador e sim um investidor. Ele visava, com o crescimento da marca, a amplitude internacional dela e lucros consequentes. Daí terem visto no Projeto Olímpico uma grande oportunidade para isso, como já enxergavam, desde 1999, com os Jogos Pan-Americanos. E visavam ganhos futuros, a partir da reforma de São Januário e construção do centro de treinamento do clube em Caxias, que se previa iniciar, com aporte do próprio banco (U$70 milhões), a partir de 2000.
A satisfação com a parceria e a projeção para o exposto acima foram confirmados em junho de 1999, junto às grandes expectativas sobre o Pan-Americano de Winnipeg, no qual mais de 60 atletas vinculados ao Vasco viriam a fazer parte da delegação.
Havia, também, investimentos em outros esportes não olímpicos, como os radicais, de luta, o futsal e o basquete masculino (que não iria aos Jogos Olímpicos de Sydney), mantido com uma equipe de primeira linha e campeã.
Sobre profissionalização, o Vasco já era profissional (aliás o era desde 1933), mas a palavra “profissionalização” passou a ser justificativa para a entrega do futebol brasileiro, com o fim da Lei do Passe (sem qualquer proteção aos clubes), iniciando o crescimento numérico e patrimonial dos empresários no futebol, que se consolidou na primeira década do século e prosperou dali por diante mais ainda. Nos anos 1990 o discurso, que se tentou fazer virar lei, era o da necessidade de os clubes deixarem de ser associações para virarem clubes-empresa, o que acabou não passando na Lei Pelé, como obrigatório, mas facultativo.
Imagem 3
“O Bank of America (na época Nations Bank), surgiu com um acordo:
Por 10 anos controlaria a marca Vasco: camisas, direitos de TV, licenças…
O clube recebia U$30 milhões de adiantamento e ficaria com 50% de receita.
A expectativa era faturar R$150 milhões/ano.
Mas o que parecia o maior contrato da história do futebol brasileiro tomou um rumo inesperado.”
Para ratificar a informação é apresentada matéria da Folha de São Paulo, datada de 10 de fevereiro de 1998, sob o título “Vasco fechará acordo para faturar R$150 mi por ano.”
ELUCIDAÇÕES:
O contrato teve termos aditivos e a parceria que, inicialmente, seria de 10 anos, passou para 25 anos, exatamente pelo fato de o banco perceber que o investimento valia ser feito e os ganhos a longo prazo poderiam ser bastante satisfatórios.
Em 1999 o Vasco teve, após grande incremento nos investimentos, R$93,96 milhões de receita. A receita em 1997 havia sido, segundo dito por Eurico Miranda à época, de R$15 milhões, com o clube chegando à conquista do Campeonato Brasileiro naquele ano. Eurico entendia, em 1998, que após três anos de parceria, poderia multiplicar por 10 os R$15 milhões, chegando a R$150 milhões de reais. Com pouco mais de um ano e meio de parceria a receita do Vasco já havia ultrapassado 60% daquilo que o representante vascaíno esperava obter em três anos.
As discussões junto à TV tinham o Vasco como negociante e não o banco ou qualquer representante seu.
O que teria ocorrido para que o contrato tomasse um rumo inesperado? Mais detalhes na imagem 4.
Imagem 4
“O Vasco fez o que quase qualquer clube faria: apostou alto e acelerou gastos.
Vieram contratações em peso como Juninho Paulista, Euller, Edmundo, Romário.
Sendo que os dois últimos passaram a ter os maiores salários do futebol brasileiro.
E, por um momento, parecia que tinha dado certo”.
ELUCIDAÇÕES:
O Vasco fez o que qualquer clube faria, baseado em sua premissa associativa, qual seja, investir o que obtém de recursos em patrimônio, profissionais, estrutura, equacionamento de dívidas, mas, claro, com o lastro daquilo que teria garantido por contrato.
A competência é evidenciada com três títulos no período em que recebeu o devido da outra parte, entre abril de 1998 e junho de 2000.
A competência é mais ainda visível com a conquista da Copa Mercosul de 2000 e do Campeonato Brasileiro da mesma edição, ganho em janeiro de 2001, mesmo com a inadimplência do banco, desde julho de 2000.
Quando se fala em competência é bom que se faça um comparativo com o outro clube daqui do Rio de Janeiro, no caso o Flamengo, à época com sua parceria (ISL), que teve despejado dinheiro em grande quantidade no segundo semestre do ano de 2000, (32 milhões de reais em contratações, fora salários) para trazer Gamarra, Alex, Denilson e Edilson, a fim de obter o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul, vencidos pelo Vasco em plena fase de inadimplência de seu parceiro.
Sobre Romário e Edmundo juntos, com os grandes salários que tinham, o Vasco os manteve em sua folha, dessa maneira, por cerca de oito meses apenas, afinal Edmundo foi emprestado para o Santos em julho de 2000 e não mais jogou no Vasco no período em que Romário estava no clube.
A parceria de Edmundo e Romário no Vasco deu errado, mas a parceria do banco com o Vasco, enquanto aquele cumpriu o acordado com o clube, dando lastro a investimentos e pagamento do custo operacional, deu muito certo.
Imagem 5
“Entre 1998 e 2000, o Vasco viveu uma das fases mais vitoriosas da sua história:
Ganharam a Libertadores, Brasileiro, Mercosul, Carioca. Parecia o começo de algo grande.
Até que uma decisão mudou tudo.”
ELUCIDAÇÕES:
A fase vitoriosa, como todos sabemos, se inicia com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1997.
O Campeonato Carioca de 1998 e a Taça Libertadores do mesmo ano foram conquistados um e quatro meses após o início da parceria e os títulos da Copa Mercosul e do Campeonato Brasileiro posterior se dão em pleno período de inadimplência do parceiro, iniciada em julho de 2000.
Imagem 6
“Em 1999, o vice-presidente Eurico Miranda decidiu ir além do futebol.
Ele queria transformar o Vasco em uma potência olímpica, pensando nos jogos de Sydney.
Vieram contratações de atletas de alto nível, em várias modalidades.
E o resultado?”
ELUCIDAÇÕES:
Os investimentos a maior em outros esportes se iniciaram em 1998. Na mesma temporada o Vasco voltou a ser Campeão Carioca de Remo, o que não ocorria desde 1982 e, também, Campeão Brasileiro. Nela própria o clube obteve o primeiro título sul-americano de sua história no Basquete Masculino, Campeão da Copa Sul-Americana de Clubes. Foi o Vasco, ainda, Campeão da Taça Brasil de Futebol Feminino, Campeão Carioca Masculino e Feminino de Tênis de Mesa e, finalmente, Campeão Brasileiro e Carioca (em dois estilos) no Tiro com Arco. No ano anterior, 1997, o clube não obteve nenhuma vitória em âmbito nacional nos esportes coletivos, fora o futebol profissional masculino.
Os investimentos tiveram enorme incremento em 1999, com o Vasco levando aos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg 64 atletas, que trouxeram, individualmente, 34 medalhas (10 de ouro, 13 de prata e 11 de bronze).
O projeto multiesportivo trazia retorno de mídia, espaço maior do clube nos mais variados meios de comunicação e novas possibilidades de negócios. Exatamente aquilo de que necessitava a VGL (Vasco da Gama Licenciamentos) para explorar a marca e obter retorno com a exposição dela.
Fernando Gonçalves, presidente da VGL, falava do apoio do banco à iniciativa do Vasco, prevendo o sucesso já nos Jogos Pan-Americanos de 1999, afirmando isso em junho daquele ano. No mês anterior exaltava as contratações de Gustavo Borges e Luis Lima na natação, de Adriana Behar e Shelda no Vôlei de Praia feminino, a liderança no Campeonato Estadual de Remo e a chegada do clube à final da Liga Nacional de Basquete masculino.
Em 02/01/2000, Fernando Gonçalves afirmou: “Não há clube no mundo hoje como o Vasco”. Em outro trecho disse: “Queremos deixar o Vasco cada vez mais caro para os investidores (TV, patrocinadores). Esse é o objetivo nos próximos dois, três anos.” Celebrava-se à época as contratações de Romário, Manoel Tobias (Futsal), Ronaldo da Costa (que batera o recorde mundial na maratona de Berlim, em setembro 1998, mantido por 11 meses), como exemplos de destaque em suas áreas.
O balanço patrimonial do clube, referente a 1999, mostra que o Vasco teve 67% do valor gasto em futebol e 22% gasto em todos os outros esportes (juntos). Nos Jogos Pan-Americanos o Brasil realizou sua maior participação na história até ali.
A despesa com todos os esportes olímpicos em 1999 foi de 13,6 milhões (22% do total de despesas do período, como dito acima).
A despesa com o futebol foi de 41,3 milhões de reais (67% do total de despesas no período, como informado acima).
Conta-se aí, nos referidos 13,6 milhões, o gasto em esportes olímpicos e não olímpicos.
No ano subsequente o Vasco manteve o investimento de 1999 e o aumentou, chegando a 83 atletas olímpicos brasileiros, mais três estrangeiros. O foco não foi, apenas, contratar profissionais visando, exclusivamente, os Jogos Olímpicos, mas, notoriamente, montagens de times em esportes coletivos (Basquete Feminino, Vôlei Masculino e Feminino, como principais exemplos), reforços para o Futsal, aumento do número de nomes olímpicos no Atletismo, após a parceria do Vasco com Funilense e São Caetano (de seis atletas no Pan, o Vasco passou a ter 17 nos Jogos), outras contratações para esportes de luta (como Vale-Tudo) e investimentos em esporte radicais, com a busca pelo retorno de mídia que dariam. O gasto foi bem mais elevado que o de 1999, ultrapassando R$20 milhões, somando todos os esportes, exceto futebol profissional masculino, o qual teve aumento de custo considerável, em função da disputa do Mundial Interclubes em janeiro e pela tentativa de o Vasco conquistar outros títulos ao longo da temporada. Mas tudo isso tinha lastro para ocorrer, cumprindo o banco aquilo que fora acordado.
Um jornal de São Paulo (Folha de São Paulo) publicou, em 24 de novembro de 2000, que o Vasco naquele ano teria gasto R$30 milhões no Projeto Olímpico, enquanto o COB R$23 milhões. Outras matérias pretéritas do diário falavam no mesmo número.
Não há qualquer levantamento discriminado que justifique ter o Vasco em 2000 gasto R$30 milhões em Projeto Olímpico, mas o custo, de todos os esportes, olímpicos e não olímpicos, ultrapassou R$20 milhões.
A matéria cita um gasto, em 1999, de 17,8M com esportes amadores (todos, olímpicos e não olímpicos), quando na verdade foram 13,6M, como citado acima e exposto no balanço do Vasco.
Por outro lado, a própria matéria cita que o Vasco pagava as contas em dia até a realização dos Jogos, nos esportes que apurou. Os jogos foram realizados entre 15/09 e 01/10/2000.
A matéria traz em seu bojo uma conclusão solta de que Eurico Miranda havia feito o Projeto Olímpico para se eleger presidente do Vasco e ela foi publicada duas semanas após Eurico conseguir fazer a 1ª e a 2ª chapas na eleição de São Januário, em 10/11/2000.
Embora a conclusão não tenha qualquer sustentáculo, ela põe o Projeto Olímpico num lugar que dimensiona sua importância na própria visão do jornal, sabedor do que representava em termos de retorno de mídia o investimento do Vasco naquele contexto.
A matéria não cita que o banco não pagava ao Vasco desde julho de 2000.
Mas e o resultado?
Imagem 7
“A visibilidade do clube aumentou – mas o retorno financeiro não.
O projeto olímpico sozinho custou cerca de R$30 milhões em um ano.
O excesso de gastos foi motivo de questionamentos da diretoria do banco.
A receita prometida não veio, enquanto os gastos e dívidas só cresciam…”
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ELUCIDAÇÕES:
Resultado: inúmeras medalhas conquistadas pelo Vasco, que mantém décadas depois o clube como maior vencedor dentre os cariocas (incluindo atletas da natação de outra nacionalidade, medalhistas de ouro em Sydney), internacionalização da marca, retorno de mídia altíssimo e os ganhos correlatos disso, entre eles o crescimento da torcida do Vasco, quatro anos após, em outubro de 2004, em 14%, após pesquisa realizada e publicada pelo site Netvasco.
Em junho de 1999 a VGL se mostrava satisfeita por ter faturado U$10,8 milhões (e o Vasco idem), com o contrato de patrocínio junto a Proctor & Gamble, sem se importar de já ter aportado U$75 milhões, elogiando a administração do Vasco pela participação destacada no futebol e em outros esportes e entendia que faturaria alto com a reforma e ampliação do estádio, que daria ao parceiro (por contrato), direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco).
O banco não podia questionar o caminho percorrido pelo Vasco, porque isso não fazia parte do acordo entre as duas partes. Ele não administrava o clube. Aportava o valor devido e buscava a valorização da marca no mercado, o que a direção vascaína ajudava, proporcionando o maior retorno de mídia entre clubes brasileiros, com inúmeros atletas vinculados participando de competições no país e mundo afora, internacionalizando cada vez mais sua visibilidade, e com um time de futebol forte, disputando todas as competições para ganhar.
Não podia, por exemplo, o banco questionar a aquisição de uma rua inteira para o complexo de São Januário, que foi iniciada em 1998 e terminaria em 2002. Foram cerca de 14.000 metros quadrados, que correspondem hoje, considerando o valor a ser pago ao Vasco, via Potencial Construtivo, cerca de R$34 milhões. Não cabia ao banco determinar aquilo que deveria ser feito pelo clube, mas este cumpria o objetivo desejado pelo parceiro para valorização da marca Vasco, primordialmente.
A receita a vir era de competência da VGL, pois desde o início dos investimentos em esportes olímpicos, lá em 1998, era sabido que eles não davam retornos dos mais relevantes, individualmente. O projeto tinha em seu bojo a intenção de que o Vasco conseguisse – pela força de sua marca e com o futebol atuando para conquistar todas as competições – visibilidade e retorno de mídia que a valorizasse para busca de patrocínios e afins.
Não é difícil raciocinar que se o responsável pela VGL, Fernando Gonçalves, dizia, em junho de 1999, ser intenção do parceiro aportar U$70 milhões, em menos de dois anos para reforma e ampliação do complexo de São Januário e construção de um CT, para que pudesse ter direitos junto à bilheteria (compartilhada), ganhos outros via complexo esportivo, material esportivo, placas publicitárias, outros patrocínios e vendas de produtos licenciados (todos com ganhos compartilhados com o Vasco), que a conta só fecharia a longo prazo. Daí o contrato ter sido ampliado, de 10 para 25 anos.
A ideia do banco, em relação a São Januário, era a de que, após a reforma, este tivesse capacidade para 60 mil espectadores, dois ginásios e uma arena poliesportiva, na qual coubessem 10.400 pessoas, além de um vasto centro de treinamento, shopping center e até mesmo um museu interativo. Em janeiro de 2000 os valores para tudo isso eram calculados em R$100 milhões de reais a serem desembolsados pelo parceiro, com o fim de que tudo isso fosse possível. O término das obras era previsto para 2003.
Em 21/06/2000, segundo noticiado pelo “Jornal do Brasil”, Eurico Miranda e Fernando Gonçalves tiveram uma reunião para tratar das questões inerentes a obras e com o terreno da rodovia Washington Luiz liberado para a construção de uma Vila Olímpica, esta primeira reforma foi programada para ser iniciada no mês seguinte. Finalizada a obra partir-se-ia para a reforma no complexo de São Januário, que crescia em metragem, dadas as aquisições de dezenas de imóveis situados nas adjacências do próprio complexo.
Em junho de 2000 o Vasco já tinha vinculado a si mais de 70 atletas dentre os 83 que chegariam aos Jogos Olímpicos de Sydney, fora os estrangeiros. Nada era questionado pelo parceiro, que cada vez mais tinha na marca valorizada sustentáculo para a sua busca por fazê-la crescer economicamente.
Vamos relembrar:
Não havia crescimento de dívida, em relação aos contratos feitos, até o banco inadimplir.
Imagem 8
“A VGL, empresa criada para gerir a parceria, passou a travar os repasses.
E em 2001, o Vasco tomou a decisão mais arriscada possível:
Rompeu unilateralmente o contrato.
O problema é que a parceria era a base de toda a estrutura financeira do clube.”
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ELUCIDAÇÕES:
A VGL não travou repasse. O banco não pagou o devido, sendo responsabilidade no Brasil de o Banco Liberal, braço do Bank of America no país, fazê-lo. Isso ficou claro, após, em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ter ganho ação para receber o valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião quanto ao débito do banco em relação ao clube.
O Vasco esperou pelo aporte por oito meses. Com contas vencendo, problemas se acumulando e ainda com a marca presa, denunciou o contrato (isso em fevereiro de 2001).
Claro que o sustentáculo para os investimentos era o acordo, previsto para 25 anos. Mas diante da inadimplência do banco cabia ao Vasco agir exatamente como fez, comprovada sua razão com a ação ganha em dezembro de 2001.
No primeiro semestre de 2002, após a vitória do Vasco na Justiça em dezembro do ano anterior, foram retiradas as ações propostas pelas duas partes e correlatos a elas. A VGL se achava no direito de receber do Vasco cerca de U$40 milhões, mas sem sucesso nos tribunais. E o Vasco encaminhou o acordo para ter sua marca livre, assinando pouco depois com uma nova marca de material esportivo.
Imagem 9
“Isso porque o Vasco já havia antecipado cotas futuras de TV, apostando que o dinheiro da parceria cobriria tudo.
Mas a conta não fechou – e o banco foi à Justiça.
O clube acabou ficando com uma dívida milionária e multas pelo rompimento.”
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ELUCIDAÇÕES:
O Vasco, assim como todos os grandes, antecipava cotas de TV, mas parte do valor que a Globo entendeu se referir à antecipação de cotas foi adiantamento de valores que o clube imaginou ser compensado pelo banco (que lhe devia).
A conta não fechou nesse a maior antecipado porque o banco inadimpliu em 12 milhões de dólares.
O clube contestou aquilo que a Globo entendeu como antecipação e quando as partes voltaram a conversar, em 2002, a Globo voltou a pagar o Vasco (embora afirmasse antes que as cotas estavam antecipadas até 2003). Isto se deu após o clube não ter dado unanimidade à solicitação da emissora de mudança contratual, referente a direitos de TV. Ela buscava desconsiderar o crescimento previsto (dolarizado) para pagamento das cotas aos clubes, a partir daquele ano.
Os outros grandes clubes brasileiros poderiam capitular, pois antecipavam cotas com a emissora, mas o Vasco não. Eurico Miranda, que se desligara do Clube dos Treze em janeiro de 2001 (O clube desligou-se três meses depois, oficialmente), voltou a ele, liderando o processo e, posteriormente, colocando o Vasco, junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo no primeiro grupo entre os recebedores de cotas de TV (o Palmeiras chegaria ao mesmo grupo anos depois, com a anuência do Vasco, na figura do Vice-Presidente da entidade, o próprio Eurico Miranda).
Vale destacar que no Campeonato Carioca a cota de Vasco e Flamengo era igual, mas superior a de Fluminense e Botafogo. Isso desde 1999.
O rompimento não fez o Vasco ficar com dívida alguma contratual.
O acordo firmado em 2002, como já dito na imagem 8, fez com que as duas partes encerrassem as ações propostas, uma contra a outra.
Imagem 10
O que era para ser um acordo de 10 anos terminou em apenas 3 e deixando algumas feridas abertas pro clube.
A dívida chegou a R$100 milhões.
Passivos trabalhistas cresceram
Patrocinadores sumiram e a credibilidade foi embora
E quando parecia que o pior havia passado…
Matéria do jornal “O Globo” (sem a data específica) é posta para dar sustentáculo à primeira informação da imagem 1. Lembremos dela.
“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…
Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.”
Na matéria pinçada o diário carioca publica, em 2022, que o clube herdou uma dívida de R$100 milhões de reais, a qual ajudou a crescer o passivo trabalhista do clube, citando que a empresa 777 atacaria tal dívida através do RCE.
ELUCIDAÇÕES:
O acordo foi cumprido por 26 meses e se não durou mais tempo foi porque o banco não aportou o que era devido, inadimpliu por oito meses, obrigando o clube, que tinha por contrato a marca presa, a tomar as medidas cabíveis para liberá-la, como ocorreria cerca de 15 meses depois.
A dívida, a partir da vigência da Lei Pelé, já era superior a 100 milhões de reais, como já esmiuçado na imagem 1.
Os passivos trabalhistas do Vasco cresceram sim, mas em comparação aos demais clubes do Rio a situação era muito melhor.
A revista Consultor Jurídico, em publicação de 30/05/2005 (ver site Netvasco do dia 31/05/2005) mostrava ser a situação do Vasco disparada a melhor do Rio.
Número de ações trabalhistas contra os clubes:
Vasco: 286
Flamengo: 534
Fluminense: 662
Botafogo: 723
O São Paulo tinha sete ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, o Palmeiras 20 a menos e o Corinthians 40 a menos.
Como o Vasco não vive num aquário sozinho, a situação do clube não era nem de longe dramática, comparada a dos outros clubes do Rio.
A credibilidade se manteve, porque o Vasco se manteve com crédito para qualquer eventual antecipação de verba solicitada.
O clube, além de credibilidade, apresentou em junho de 2004 certidões positivas com efeito de negativas, quanto a débitos fiscais.
Em uma nota oficial à imprensa, o Vasco, a 18/06/2004, afirmou que “não precisou de recursos de terceiros para equacionar a questão fiscal e, ainda, saneou suas dívidas em um momento em que os demais clubes brasileiros não conseguem regularizar a sua situação fiscal perante à União.”
O jornal “O Globo” publicou, em 05 de julho de 2005, uma matéria sob o título de “Lamentomania Carioca”, na qual Flamengo, Fluminense e Botafogo suplicavam pela Timemania, loteria que possibilitaria aos clubes consolidar suas dívidas fiscais e obter certidões positivas com efeito de negativas, tirando a faca do pescoço deles.
Disse o presidente do Flamengo, Márcio Braga: “Os clubes não terão condições de sobreviver no segundo semestre de 2005 se alguma posição não for estabelecida pelo governo.”
Falou o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas: “O Botafogo está chegando ao limite, que é o fechamento das portas. O que estamos reivindicando é a possibilidade de sobreviver.”
Declarou o presidente do Fluminense, Roberto Horcades: “Nosso encontro tem importância histórica. Como as coisas estão colocadas, será difícil de manter os clubes funcionando.”
O Vasco não era citado na matéria, pois mantinha suas certidões positivas com efeito de negativas e nem apareceu na reunião, mostrando-se apenas solidário aos clubes, mas dizendo não aceitar a proposta que estava à mesa na época para a constituição da loteria (modificada posteriormente).
Sobre patrocínio (o grande discurso massificado pelo MUV), o Vasco teve patrocinador em 2007 e em 2008, recusou propostas consideradas baixas antes, teve alguns patrocínios pontuais, também antes, mas o fundamento de receita dos clubes na primeira década do século não era receita de patrocínio e sim das cotas de TV.
Sobre a matéria do jornal “O Globo”, repetimos aqui que está sem data, mas supõe-se ter sido publicada em 2022, pois se fala nela da 777 partners, como se esta estivesse por comprar o futebol do Vasco ou o tivesse adquirido. De qualquer forma, como o processo foi muito rápido, o ano seria 2022. Três comentários necessários:
1 – O Vasco já estava no RCE antes de a empresa comprar o futebol do Vasco. A matéria sugere que a dívida trabalhista existente à época seria “atacada” via RCE. Isso não se trata de ataque à dívida, mas simplesmente de cumprimento do acordado pelo clube antes.
2 – Parece inacreditável que em 2022 fale-se de uma dívida trabalhista, com foco nas pendências deixadas, após o fim da parceria, como sustentáculo para a narrativa. Isso porque o Vasco aderiu e cumpriu um Ato Trabalhista em 2004, o que lhe permitiu acordar outro, em dezembro de 2007, em condições de pagamento, por sinal, muito melhores que as de Fluminense e Botafogo à época, também signatários do mesmo Ato. Por outro lado, quando finalmente as dívidas fiscais foram consolidadas pelos clubes, dado o surgimento da Timemania, a dívida fiscal rubro-negra era o dobro da do Vasco e a de Botafogo e Fluminense eram próximas do montante consolidado pelo clube da Gávea.
3 – A matéria ignora o fato público, notório e reconhecido no Poder Judiciário de que o banco não pagou U$12 milhões de dólares, portanto, não saiu, simplesmente. Ele inadimpliu e o contrato foi denunciado pelo Vasco, após oito meses de tal inadimplência. Afora isso, os problemas vividos pelo Vasco no início do século também tiveram por parte da Globo um dos motivos, pois, como citado por um executivo dela ao jornal “Meio e Mensagem” em 2001, a emissora aplicaria um torniquete financeiro no clube, com a intenção de jogar a torcida contra Eurico Miranda, a fim de que ele perdesse o apoio dela. Vale relembrar que após 18 meses de torniquete e resistência do Vasco, a emissora voltou a conversar com o clube, depois deste não aquiescer a que uma mudança no contrato de TV assinado por ela, fosse feita nos parâmetros (valores) desejados por ela própria. O Vasco foi exceção: todos os outros grandes clubes, que antecipavam cotas com a emissora (e continuaram antecipando entre 2001 e 2002) eram a favor. A ação, inclusive, como já dito em outra imagem, fez o Vasco voltar ao Clube dos Treze, com Eurico Miranda em posição de liderança e com o próprio Vasco mantendo-se no primeiro grupo entre os recebedores das cotas de TV. O seria junto a Corinthians, Flamengo e São Paulo. Anos depois o Palmeiras também entraria no seleto grupo, formado, então, por cinco clubes e assim o foi até a saída de Eurico Miranda da presidência do Vasco, em 30/06/2008, que deixou acertada a renovação de outro, nas mesmas condições para o Vasco, que se encerraria em 2011.
Ainda tem mais.
Vejam a imagem 11.
Imagem 11
“O contrato virou alvo da CPI do Futebol em 2001.
Depoimentos apontaram que metade do dinheiro investido pelo banco não passou pela tesouraria do clube.
A outra metade? Teria sido depositada na conta de terceiros por ordem de Eurico Miranda.
E dentro do campo os reflexos vieram rápido…”
ELUCIDAÇÕES:
Em novembro de 2000, a VGL (chamada de Vascolic em matéria publicada pelo jornal “Tribuna da Imprensa”) virou alvo da CPI, a partir de investigação da Polícia Federal, que teve por consequência uma descoberta: a empresa Deportes Sports Holding Limited detrinha o controle (com 99,6% das ações ordinárias) da VGL e tinha sede em Grande Cayman, capital das Ilhas Cayman.
A Vascolic foi comprada apenas quatro meses após ter sido criada. À época de sua fundação teve a Vascolic como controladora a empresa Barewwod Trading Inc., com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A administração da Vascolic, todavia, continuou sob responsabilidade de executivos ligados ao Banco Liberal, braço brasileiro do Bank of America.
Cheguemos a 2001, agora falando de CPI. Nela própria foi declarado pelo diretor executivo do Bank of America, em abril daquele ano, que as remessas ao exterior de R$3,35 milhões, R$2,33 milhões, R$2,85 milhões e R$4,02 milhões, totalizando R$12,55 milhões, se deram por intermédio do Banco Central e o Bank of America intermediou a transação sabendo que a transferência seria para pagamento de empréstimos e de passes de jogadores e que foram feitos com lisura.
Em 16 de setembro de 1998, portanto muito antes de se falar em CPI da Nike ou do Futebol, o Vasco, em documento assinado por Antônio Soares Calçada e Eurico Miranda, cita cinco valores de transferências, quatro deles lembrados pelo diretor executivo do Bank of America, cerca de 30 meses depois, mais um de 2,3 milhões de reais. O documento enviado pelo clube ao banco fala sobre o cumprimento de obrigações relacionadas ao Departamento de Futebol, especificamente relacionadas com aquisição de jogadores, pagamento de débitos relacionados à aquisição de jogadores, ou pagamentos relativos a aluguel de jogadores, relacionados com os créditos originados pelo referido Instrumento. Todas as remessas se deram por intermédio do Banco Central.
Em 12 de dezembro de 2001, por decisão unânime na 8ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, três votos a zero, o Club de Regatas Vasco da Gama ganhou a ação no valor de 12 milhões de dólares contra o Bank of America, corroborando sua opinião, quanto ao débito do banco em relação ao clube.
Dentro do campo, em 1998, os reflexos vieram rápido, com os títulos conquistados, considerando a estrutura já montada desde o ano anterior.
Dentro de campo, após o inadimplemento do banco, os resultados vieram rápido, por competência do clube, campeão da Copa Mercosul.
Já em plena CPI, com perseguição a Eurico Miranda, desumanizado e demonizado, a partir da edição de imagens feita pela Rede Globo de Televisão no final de dezembro do ano 2000 (que ela admitiu ter executado, quase 24 anos depois) o Vasco foi Campeão Brasileiro (neste caso em janeiro de 2001).
Apesar de passar por um torniquete financeiro de 18 meses, dito antes por um executivo da Globo, ao Jornal paulista “Meio e Mensagem”, que ocorreria, com o propósito de colocar a torcida vascaína contra Eurico Miranda, o clube resistiu, igualando o recorde de oito vitórias consecutivas na Taça Libertadores (que fora obtido pelo Cruzeiro em 1976), conquistando a Taça Rio (1º lugar) por antecipação, dando as maiores goleadas da história no Botafogo (7 x 0), São Paulo (7 x 1) e vencendo de mão aberta o Flamengo (cinco de novo), no mesmo ano.
Também em 2001 o Vasco conquistou o Bicampeonato Brasileiro e Carioca de Basquete Masculino e foi Campeão Brasileiro e Bicampeão Carioca no Feminino, além de ter sido campeão em três das quatro categorias de base no Basquete Masculino.
No futebol de base conquistou o Mundialito e o Campeonato Carioca de Juniores, além do Campeonato Carioca no Sub11 e Sub13.
No Remo foi conquistado o Tetracampeonato Carioca e Brasileiro. O clube foi Tricampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo.
Na Natação o Vasco foi Tricampeão da Taça Brasil e do Troféu José Finkel, mantendo-se pelo segundo ano consecutivo como primeiro do ranking, foi Campeão Brasileiro Feminino de Maratonas Aquáticas e Bicampeão do Troféu Brasil de Saltos Ornamentais.
No Futsal o Vasco foi Bicampeão Estadual e Municipal e no Handebol Hexacampeão Carioca.
No Judô, Taekwondo e Karatê o Vasco foi Bicampeão Carioca e no Vale-Tudo, com Wanderlei Silva, venceu o Pride 13 e o Pride 14.
No Tênis, com Joana Cortez, representando-o, o Vasco conquistou o Campeonato Brasileiro e Carioca, além de dois torneios internacionais de duplas ITF, na Colômbia e no México. No Tênis de Mesa o clube foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino.
Na Vela o Vasco foi Bicampeão Mundial e Brasileiro na classe Laser e Campeão Brasileiro na classe Star, no Hipismo, através de Rodrigo Pessoa, montando Baloubet du Roet, foi Campeão do Grand Prix de Milão (Itália) e no Bodyboarding, com Guilherme Tâmega chegou ao título mundial, o quinto da carreira do atleta.
No Vôlei de Praia, com a dupla Adriana Behar e Shelda representando-o, foi Tricampeão do Circuito Mundial, Campeão da Copa do Mundo e Tricampeão do Circuito Banco do Brasil.
Em 2002, o Vasco encerrou a compra dos imóveis que faltavam para o complexo de São Januário. No mesmo ano o clube passou a alugar o Vasco-Barra (em janeiro), após o Flamengo ter sido despejado de lá em agosto de 2000. O clube ainda se manteve conquistando títulos em vários esportes.
No futebol de base houve a conquista da Copa Rio SUB 17. Dela participaram Bahia, Palmeiras, Atlético-MG (os dois últimos vencidos pelo Vasco no mata-mata), entre outros clubes, além do Bicampeonato Carioca no Sub-13. Nos demais esportes o Vasco foi Campeão da Liga Sul-Americana de Basquete Feminino; Pentacampeão Carioca e Brasileiro de Remo, conquistando, ainda cinco medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano; no Vôlei de Praia, através da dupla Adriana Behar e Shelda, conquistou o Teracampeonato do Circuito Brasileiro Banco do Brasil Feminino; foi Tetracampeão Carioca Masculino e Feminino no Atletismo; obteve duas medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano de Natação; foi Tricampeão Carioca de Karatê; Pentacampeão Carioca Masculino de Tênis de Mesa, além de campeão no Tênis, com Joana Cortez, de um Torneio ITF em duplas (Torneio de Mallorca-ESP) e, com Guilherme Tâmega, Hexacampeão Mundial de Bodyboard, com o atleta usando o símbolo do Vasco na prancha, por gratidão e paixão pelo clube que o patrocinou em 2000, quando foi Hexacampeão Nacional.
Entre agosto de 2002 e o início de 2003 foi montado o time Campeão da Taça Guanabara, Taça Rio e do Campeonato Carioca daquele ano. No ano seguinte o clube conquistou o Bi da Taça Rio (2º turno), derrotando na decisão o Fluminense de Ramon Menezes, Roger, Edmundo e Romário, por 2 x 1. Houve falta de títulos na sequência e nenhuma comemoração, praxe no Vasco desde os anos 1920, quando se tornou grande no futebol, por vices ou semifinais alcançados. Na base, títulos cariocas, em nível interestadual e internacional foram conquistados no Sub11 (2), Sub13 (2), Sub15 (2) e Sub17 (entre 2003 e 2007).
Conquistas em outros esportes foram obtidas em 2003: Basquete Feminino (Campeão Carioca); Atletismo (Pentacampeão Carioca Masculino, mais duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, uma de ouro e outra de bronze); Karatê (Tetracampeão Carioca); Tênis (medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, com Joana Cortez e mais três conquistas dela em torneios internacionais ITF de duplas, no México, EUA e Itália); Tênis de Mesa (Hexacampeão Masculino), Vôlei de Praia (Pentacampeão do Circuito Brasileiro Feminino Banco do Brasil), além de 3 medalhas de prata e duas de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, obtidas por remadores ligados ao Vasco.
Renato Carvalho, representando o Vasco, iniciaria uma série de conquistas individuais no Judô, desde Campeonatos Cariocas, Estaduais, Interestaduais, Brasileiros e Sul-Americanos, de 2003 a 2008, a tenista Joana Cortez ainda conquistaria, entre 2004 e 2005 mais seis torneios ITF de Duplas, três em Portugal, dois no Brasil e um na Itália, a dupla Adriana Behar e Shelda ganharia a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, além de obter o Circuito Mundial Feminino e o Hexacampeonato do Circuito Banco do Brasil no mesmo ano. Foram conquistadas quatro medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos de Atletismo, Remo e Karatê (duas), em 2006, por atletas vascaínos e, também por eles, mais uma medalha de ouro, duas de prata e três de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio, além de títulos estaduais e brasileiros no Remo, muito forte até 2008. Vale lembrar que outros esportes não olímpicos foram continuados pelo clube, ou iniciados no período anterior à troca de gestão no Vasco, ocorrida em 2008. Houve, também, a preocupação com os esportes Paralímpicos, desde o apoio a eles dado em 2000, vide as duas medalhas de ouro e uma de prata obtidas por Mauro Brasil na Natação, nos Jogos Parapan-Americanos do Rio em 2007, posteriores às conquistas de dois ouros, em 2005 e duas pratas, em 2006, em campeonatos mundiais dos respectivos anos.
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“O Vasco passou a brigar contra o rebaixamento.
Vieram a queda de público, crise políticas e problemas administrativos.
Em 2004, o balanço do clube foi considerado como o menos transparente entre 18 da Série A.”
Na imagem, mais abaixo, surge matéria do UOL, de 14/07/2005, que trata do balanço patrimonial do Vasco, do ano de 2004, citando o CRC (Conselho Nacional de Contabilidade) como sustentáculo da informação. O título da matéria e seu teor, tal qual foi publicado no Instagram, faz uma associação livre entre a opinião do CRC e a sua própria. Ei-lo: “Futebol do Vasco vê o fundo do poço perto”.
ELUCIDAÇÕES:
O Vasco, entre 2001 e 2008, até a troca de gestão, jamais esteve na zona de rebaixamento no returno do Campeonato Brasileiro (que se iniciou em 2003 neste formato).
No ano de 2002 (ainda no modelo sem returno) o Vasco esteve uma rodada na zona de rebaixamento.
Entre 2001 e 2002 o Flamengo se salvou do descenso na última rodada (em 2001) e figurou várias rodadas no Z4 em 2002, ano no qual o Botafogo caiu, tal como o Palmeiras, salvando-se o Internacional-RS na última rodada.
No ano seguinte (2003), o Fluminense (que ficou oito rodadas na zona de rebaixamento) teve chances de cair até a última do campeonato.
Entre 2004 e 2005 o Vasco teve, no primeiro ano, três rodadas na zona de rebaixamento (entre a 3ª e a 5ª do turno). Na mesma competição o Flamengo esteve na zona rebaixamento em 24 rodadas e o Botafogo (que havia subido em 2003) em 33 rodadas. Em 2004 outro grande clube brasileiro caiu, no caso o Grêmio.
Em 2005 o Vasco esteve nove rodadas na zona de rebaixamento, todas no turno. Considerando os jogos posteriormente anulados e disputados novamente, bem como seus resultados, o Vasco teria ficado apenas duas rodadas na zona de rebaixamento (12ª e 15ª rodadas). Na mesma competição o Flamengo figurou na zona de rebaixamento por 15 rodadas, a última delas a 37ª (naquele ano o campeonato foi disputado por 22 equipes). Nessa edição outro grande foi rebaixado: o Atlético-MG.
Quando da troca de gestão no Vasco (01/07/2008), o clube não figurava no Z4 havia 108 rodadas e jamais entrara nele quando a competição passou a ter 20 clubes. Em 2006 o clube esteve na zona da Libertadores em nove rodadas, em 2007 em 19 rodadas e até haver a troca de gestão, em 2008 (oito rodadas disputadas até ali), numa rodada. O Vasco foi deixado em nono lugar na competição.
No mesmo período, até a troca de gestão, em 30/06/2008, o Flamengo esteve seis vezes na zona de rebaixamento em 2006 e uma em 2007, o Botafogo sete rodadas em 2006 e o Fluminense em cinco das oito primeiras no ano de 2008. Em 2007 outro grande caiu: o Corinthians.
Ou seja, até a troca de gestão, em junho de 2008, desconsiderando os anos de 2001 e 2002, quando o Flamengo quase caiu (por duas vezes) e o Botafogo efetivamente caiu (em 2002), O Vasco, entre 2003 e 2008, esteve 12 rodadas na zona de rebaixamento (que viriam a ser cinco, considerando a anulação dos jogos no Campeonato Brasileiro, apitados por Edilson Pereira de Carvalho em 2005), enquanto o Flamengo esteve 46 rodadas na zona de rebaixamento, o Botafogo em 41 rodadas e o Fluminense em 13 rodadas.
No ano de 2005, no pior do momento do clube, em plena zona de rebaixamento, o Vasco tinha a sétima maior média de público do Campeonato Brasileiro, disputado, então, por 22 equipes.
Se houve uma insana sede de poder por parte da oposição, desqualificando o clube e se unindo à parte da imprensa para atacá-lo, isso não é crise política e sim uma espécie de sabotagem ao próprio clube. São coisas diferentes.
Em 2005 o CRC tinha em seus quadros, destacadamente, o futuro Vice de Finanças do clube, que era oposição a Eurico Miranda e fazia parte do MUV (Movimento Unido Vascaíno). Suas críticas eram encaradas pela direção do Vasco, como sendo motivadas por razões políticas. Em sua gestão teve três balanços reprovados pelo Conselho Fiscal do clube (2009, 2010 e 2011). O último deles, inclusive, suscitou a sua saída da função que exercia, em setembro de 2012. Viria, ainda, pedir demissão do cargo eleito, segundo vice-presidente do clube, em dezembro do mesmo ano. O balanço patrimonial de 2011 seria republicado sob a responsabilidade de um novo Vice de Finanças, posteriormente, no início de 2013. Um ex-companheiro de MUV, também oposição a Eurico Miranda (independentemente da declaração a seguir), afirmou para a coluna De Prima do jornal Lance, em outubro de 2012, o seguinte: “Se esse balanço de 2011 tivesse sido apresentado na época do Eurico, já estariam pedindo a prisão dele”.
Sobre a matéria do UOL, que fala do futebol do Vasco no fundo do poço, fazendo correlação com a crítica a respeito do balanço, de autoria do CRC, mais parece uma tentativa de querer comparar bananas com maçãs. Se um balanço (alegadamente) intransparente do ano anterior traz resultados ruins em campo no ano seguinte (quando aquele é discutido pelo público em geral), o que dizer do balanço de 2010, reprovado pelo Conselho Fiscal e a conquista da Copa do Brasil por parte do Vasco em 2011?
De qualquer maneira, a fase péssima no futebol passou e o Vasco terminou o Campeonato Brasileiro de 2005 classificado à Copa Sul-Americana daquele ano, aliás, como já dito acima, o último no qual o clube frequentou o Z4 até a saída de Eurico Miranda em 30/06/2008. Por outro lado isso vem demonstrar o tamanho do Vasco à época. O fundo do poço do futebol do Vasco traduzia-se em 12 rodadas na zona de rebaixamento, no somatório daqueles dois últimos anos, enquanto seu principal rival, o Flamengo, não estava no fundo do poço no futebol, apesar de acumular, ao fim da competição de 2005, 39 rodadas (mais que o triplo, se comparado ao Vasco) no Z4 ao longo do mesmo período.
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“Nesse meio tempo foram rebaixados quatro vezes.
Até que em 2022 o clube aprova a transformação em SAF (Sociedade Anônima).
Vende 70% das ações para 777 partners.
Com o acordo de R$1,4 bilhão em investimentos e pagamento de dívidas antigas.”
ELUCIDAÇÕES:
Nesse meio tempo, antes de o MUV entrar no clube, fato ocorrido em 01/07/2008,, o Vasco não foi rebaixado vez alguma, mas o foi duas vezes na gestão subsequente (no campo) e, também, nos recebimentos de cotas de TV.
O pulo para 2022 pode até ser conveniente para a narrativa que se pretende, mas não faz sentido algum.
Após a troca de gestão, ocorrida em 01/07/2008, até seu fim, em dezembro de 2014, o Vasco teve quase triplicada a sua dívida real e quase duplicada aquela que jogou no balanço. Esta, por sinal, chamou a atenção em dois pontos:
a) Imobilizado
Foi reduzido no ativo permanente o imobilizado do Vasco em 12,657M, no balanço de 2008 (contado a partir de 01/07/2008), elaborado pela gestão sucessora. Curiosamente, nos dois balanços subsequentes, referentes a 2009 e 2010, o valor do imobilizado cresceu 8,914M no 1º ano e 11,192M no 2º ano, totalizando 20,106 milhões no somatório dos dois anos. Vale lembrar que a obra relevante feita por aquela gestão no complexo de São Januário foi inaugurada em dezembro de 2011, após seis meses de seu início, que contemplaram a construção de uma Mega-Loja e algumas salas mais abaixo dela.
b) Reservas para Contingências:
O Vasco pôs em seu balanço, na conta “Provisão de Contingências”, R$103,882 milhões em 2008. Essa conta diz respeito a ações que o clube respondia na Justiça, consideradas as que o Vasco perderia, ou provavemente perderia, ou possivelmente perderia, ou remotamente perderia. Até 2007 o clube não considerava esse item em seu balanço patrimonial.
Vale ressaltar que o Flamengo, com uma dívida fiscal, que fora consolidada em 180 milhões de reais para o ingresso do clube na Timemania em 2008 (o dobro da do Vasco) e com centenas de ações trabalhistas a mais que o Vasco contra si, pôs em reservas para contingências (no mesmo exercício em que o Vasco destacou 103,882 milhões de reais no item) o valor de R$7,592 milhões, modificado próximo às eleições na Gávea pela Comissão Permanente de Finanças de seu CD, em novembro de 2009, para 36,498 milhões.
Passado esse período, Eurico Miranda retornou ao clube e o geriu no triênio 2015 a 2017.
Quando chegou no Vasco, além da dívida real do clube praticamente triplicada, o clube tinha dois anos de antecipação das cotas de TV, receita com o quadro de sócios antecipada, receita com produtos licenciados antecipada, dois meses de salários atrasados, mais décimo terceiro, fora direito de imagens a pagar.
Havia, ainda, dívida de dez milhões de reais com a CEDAE (o Vasco nada devia até a saída dele Eurico, em 2008) e dívida até mesmo com caminhão pipa.
Fora isso, várias ações contra o clube que haviam chegado à FIFA (todas da gestão anterior), base alocada em Itaguaí, patrimônio abandonado, São Januário com capacidade para 15.311 pessoas, toneladas e mais toneladas de lixo a céu aberto no complexo de São Januário, hotel concentração, construído em 2003 para os profissionais, largado, parque aquático sob tapumes, ginásio abandonado, alojamento da base sem condições de uso, vindo do 3º lugar da 2ª divisão, sem ter liderado a competição em rodada alguma, com um histórico naqueles seis anos e cinco meses de 03 vitórias contra o Flamengo e dez derrotas, além de uma até então inimaginável freguesia diante do Botafogo (06 x 09).
Nesse período, entre 2015 e 2017, com Eurico Miranda presidindo o clube, o Vasco suplantou todos os três grandes do Rio no confronto direto (5 x 3, 6 x 4 e 6 x 1), ganhou mais títulos e taças oficiais que todos os três (JUNTOS), conquistou dois títulos (um invicto), aliás os dois últimos do Vasco até aqui, eliminou pela primeira vez na história o Flamengo de três campeonatos consecutivos (no confronto direto), conquistando dois deles, venceu todas as finais que disputou e foi deixado na Taça Libertadores, pela última vez, até 2025.
Destaque-se, ainda, o trabalho junto à base, antes alocada em Itaguaí, fora a recuperação do patrimônio (reforma do alojamento da base, reforma e utilização novamente do ginásio e do Parque Aquático), criação do CAPRRES, CAPRRES Olímpico e CAPRRES da base, construção de um campo anexo, elevação em mais de 40% da capacidade de público em São Januário (considerando a que encontrou), melhorias nas outras sedes, clássicos jogados dentro de sua casa, novamente, em Campeonato Carioca e Brasileiro (3 vitórias, 1 empate e 1 derrota), obtenção de certidões fiscais positivas com efeito de negativas (pela última vez até aqui e sem entrada em Recuperação Judicial, ocorrida, recentemente), de verbas da CBC em função disso, de novos títulos no Basquete, ressuscitado praticamente (Liga Ouro, Super Four, Copa Avianca) e em outros esportes, novos títulos na base (Campeão no Sub 17 após oito anos, no Sub 20 após sete anos, duas vezes no Sub 11, com Rayan), o primeiro atleta vascaíno olímpico, medalhista de ouro no futebol (Luan), efetivação da maior venda de um atleta de base no século, Douglas Luiz, e uma joia (Paulinho) deixada para a gestão seguinte negociá-la, em menos de 90 dias, por 56,6 milhões líquidos (11 milhões recebidos previamente na primeira semana após assumir).
Por fim, a dívida do Vasco foi reduzida (sem o clube entrar em Recuperação Judicial, mas apenas por competência administrativa) de 690 para 589 milhões, segundo decisão final do Conselho Deliberativo, após o grupo de finanças da gestão sucessora ter entendido que a dívida fora diminuída de 690 para 645 milhões de reais.
Por outro lado, o clube foi assumido com uma receita anual de 129 milhões de reais e deixado com 192 milhões de receita anual, após o fim do triênio. Passados quatro anos a receita anual do Vasco, apresentada no balanço de 2021, foi seis milhões menor que a apresentada em 2017.
O Vasco, na prática, foi entregue a terceiros, em 2022, por 700 milhões de reais, enquanto a dívida já existente poderia ser paga com os próprios ativos do clube, ao longo do tempo. Na ocasião da venda, o Vasco estava no RCE (dívidas equacionadas cíveis e trabalhistas) e no Profut (parcelamento de dívidas fiscais).
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“Com o (sic) SAF sendo controlada pela 777, o Vasco passa 24 de 38 rodadas na zona de rebaixamento.
Isso com uma campanha fraca e muita contestação ao projeto pelo torcedor.
Até que, em 2024, o clube vai à Justiça e suspende o contrato com a 777 – com a prova de que apenas 31% do capital prometido foi investido.
E a história se repete novamente…”
Para alicerçar o que está dito é publicada parte de uma matéria do GE, meramente informativa.”
ELUCIDAÇÕES:
A mudança de associação para SAF e de controle, saindo este do Vasco para um comprador, deu no que deu.
O clube conseguiu na Justiça algo, que se não obtivesse, manteria a caixa preta da SAF sem abertura, porque quando se entrega o clube, tanto a transparência, como ações do dono dependem de sua vontade e dos conselhos da própria empresa, controlados, em maioria, pelo novo dono, ficando o clube à mercê disso.
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Hoje o Vasco carrega uma dívida de R$1 bilhão.
Busca um novo investidor para assumir a SAF
Está em processo de recuperação judicial
Passa por mudança constante do elenco
Não disputou nenhum título nos últimos anos.
ELUCIDAÇÕES:
O Vasco, de 2018 a 2024 elevou sua dívida em quase um bilhão de reais.
A busca não é por um novo investidor e sim de outro dono, o que não faz sentido algum, considerando o aumento de receitas do clube entre 2021 e 2025, que triplicou por quatro fatores básicos: novos contratos de TV, crescimento do valor de vendas de atletas para o exterior, investimento pesado das casas de apostas nos clubes para propagandearem suas marcas e aumento considerável das premiações pagas pelos organizadores das competições, por performance esportiva.
Afora isso, a Recuperação Judicial (desnecessária) constituiu-se num calote legal de percentuais de débito do clube com cerca de 500 credores, reduzindo o montante a pagar na ordem de mais ou menos 300 milhões de reais.
Em 2026, considerando a venda de Rayan e o contrato com a Nike, a receita aumentará em ao menos 25% do valor de 2025, que chegou a aproximadamente 600 milhões.
Com o Potencial Construtivo e a responsabilidade de se fazer uma obra em 2027, que seja, no limite do valor líquido a ser recebido, na ordem de 450 milhões, por alto (valor dado para o clube), aumenta-se para dois ou três anos depois a possibilidade de arrecadação de bilheteria a maior, sem contar jogos eventuais no Maracanã.
Ao mesmo tempo, o clube tem, ainda, a oportunidade de nova receita, com os naming rights do estádio e em 2029 um novo contrato de TV será negociado.
A Vasco SAF pode ter parceiros, investidores, mas não ser entregue a terceiros, com quem quer que seja (que não o Club de Regatas Vasco da Gama) tendo o controle acionário.
O que se propagandeou, desde o fim de dezembro de 2025, foi a perda do controle acionário a troco de um investimento por x tempo.
Especula-se hoje dois bilhões de reais de investimento. Por outro lado, um comprador dizer que vai assumir a dívida não é nada complexo, pois a garantia da receita anual da instituição já existe para pagá-la, ao longo dos anos.
Sobre nenhum campeonato ganho há dez anos, é um recorde na história do Vasco e isso se deu num período em que a dívida do Vasco cresceu em quase 1 bilhão de reais.
Qual a lição disso tudo?
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Ter recursos não é suficiente se você não souber administrá-los.
Isso serve tanto para vida, negócios ou investimentos.
O maior contrato do futebol brasileiro virou um dos maiores desastres justamente por isso.
ELUCIDAÇÕES:
Contar a história de maneira equivocada, contendo inverdades ou más informações, leva a que a continuidade dela se dê torta e errática.
As consequências de discursos disformes ao histórico são os resultados, que batem no torcedor e transformam o Vasco num clube de menor cobrança, resignado, e que começa a internamente comemorar até mesmo vice-campeonato, num ano em que venceu 23 partidas e perdeu 28, pior resultado no século, na proporção disso, o que ocorreu em 2025.
A história ensina. Aprende quem a considera. A distorção, consciente ou inconsciente, dela faz com que o Vasco se comporte institucionalmente, através de seus coitados dirigentes, como se desaprendesse sua essência.
Sérgio Frias
Fonte: Casaca