Confira outros tópicos da entrevista coletiva de Pedro Emanuel após Grêmio 1 x 2 Vasco
O treinador português destacou que o Vasco vinha criando chances nos jogos, mas que sofria dificuldades para matar a partida. Contra o Grêmio, os gols saíram – ambos ocorreram no segundo tempo, aos 30 e 34 minutos.
– Como eu já tinha dito, aquilo que vinha sendo o comportamento durante os jogos e aquilo que era o nosso plano para cada jogo vinha sendo cumprido. A questão principal é que, quando marcamos e saímos na frente, nosso conforto no jogo é outro. E quando sofríamos, não tínhamos a capacidade de dar a volta no jogo. Hoje foi uma grande lição para nós nesse sentido. Foi um crescimento, mais do que uma lição – avaliou Pedro Emanuel.
Pedro Emanuel também pontuou o peso que a vitória carrega, já que o Vasco nunca havia vencido o Grêmio na Arena.
– Aqui e ali, no início da segunda parte, houve alguma precipitação, alguma ansiedade para fazer o gol Nós vínhamos de uma sequência aqui nesse estádio de nove jogos e nove derrotas, desde 2006 não ganhávamos o Grêmio aqui em Porto Alegre. Tudo isso pesa no psicológico do jogador. Nós tentamos ajudar de fora, com algumas alterações estratégicas e mudanças táticas, e penso que isso deu algum conforto e estabilidade à equipe. Hoje, mais uma vez, conseguimos criar oportunidades, não concretizamos. E depois tivemos tudo para matar as jogadas em duas ou três chances e não conseguimos fazer. Isso tudo pesa, não vou esconder – disse ele.
– Mas é o espírito da equipe, a conversa que tivemos antes me deixou muito confiante. Hoje ficamos um pouquinho mais ansiosos, era um jogo de mata-mata para nós. Nós e o Grêmio estamos em situação aprecida, hoje, se não ganhássemos, não poderíamos perder. A ideia sempre foi ganhar, foi isso que planejamos. Queríamos marcar primeiro, isso não aconteceu. Mas foi um crescimento como equipe, era importante conquistarmos a primeira vitória fora no campeonato. Mérito de todos. Respeitamos o adversário, mas ao mesmo tempo de olho na missão que esse clube tem como tradição – conclui ele.
O Vasco volta a campo pelo Brasileirão no próximo sábado para enfrentar o Coritiba, às 20h30 (de Brasília), em São Januário. Antes disso, a equipe tem um jogo decisivo pela Sul-Americana: encara o Santa Fe pelo jogo de volta das quartas de final da competição.
Veja outras respostas da entrevista coletiva de Pedro Emanuel, técnico do Vasco:
Como fazer para não desligar o sinal de alerta nesse bom momento?
– (o estado de alerta) não vai acabar, ainda bem que você faz essa pergunta. Eu tenho que ser o primeiro a sequer pensar dessa forma, esse é o primeiro passo que daríamos para o insucesso. Embora não tenhamos feito um jogo extraordinário, isso se deve muito ao respeito que as equipes tiveram uma pela outra, mas acho que nós colocamos mais em prática o que é o nosso jogo. Sabíamos que, em determinados momentos, não poderíamos arriscar porque o Grêmio varia os blocos, ficam mais juntos para criar condições para sair no contra-ataque. Nós assumimos esse risco porque estamos atrás na tabela, tínhamos a noção de que iríamos correr riscos. Mesmo não cometendo muitos erros, sofremos um gol de forma fortuita. Isso nos obrigou a ser mais agressivos e intensos, arriscar um cadinho mais.
– Não foi por acaso que fizemos a virada, a postura e o espírito da equipe ajudaram. Antes do jogo, nós falamos sobre isso, sobre o que é ser Vasco e o que é ter essa exigência d vitórias. Acho que estamos em um momento bom, o espírito, a vontade, a determinação que a equipe tem demonstrado… todos. Isso é muito importante para mim como treinador, sinto que o grupo está motivado. O grupo também sabe que tem que estar preparado, todos eles. Ganhando, naturalmente que as coisas parecem sempre melhores e mais fáceis. Tivemos muito trabalho nessa virada. É um alento para o que deve ser o nosso futuro. Nosso fruto imediato é começar no Santa Fe a partir de amanhã.
Qual a importância de ter mais opções no elenco?
– O futebol é um jogo de entendimento coletivo. Não era só culpa do Colídio ter jogado de costas para o gol, mas tem que ter um entendimento coletivo daquilo que é flutuação, profundidade, a interação entre os jogadores. Isso não estava fluindo tanto na primeira parte. Aqui e ali, aconteceu, como as duas oportunidade que tivemos com o Adson. São dois momentos bons, daquilo que representa nossa forma de jogar. Mas tinha que ter esse entendimento entre os jogadores, que não estava sendo tão fluído na primeira parte. Na segunda parte, tivemos um cadinho mais de risco, mas umas mudanças estratégias e táticas permitiram aos jogadores fluir mais. Mais presença de área com o Bruno Duarte, troca de lado do Andrés, que nos ajudou a forçar mais a esquerda do Grêmio. E, acima de tudo, demos mais profundidade no lado esquerdo com o Cuiabano. Isso obrigou o Grêmio a baixar um cadinho e nos obrigou a ter paciência.
– O Lescano entrou bem, ele acrescenta muito, com visão de jogo e capacidade técnica que vão nos ajudar. Estávamos procurando isso. Os outros vão usufruir disso. Tudo isso influenciou as oportunidades que permitiram a virada do jogo. Nossa equipe tem que ser assim, preparada para diversos momentos do jogo e ter diversos planos para o jogo. Era importante marcarmos primeiro hoje, não aconteceu, mas reajustamos. O jogo tem 90, 95, 100 minutos. É muito tempo para alterar e poder ajudar a equipe. Felizmente ainda estamos em três competições. Vamos continuar a ter bons desempenhos, que é isso que eu quero, não baixar o nível. Continuarmos a ser competitivos, que é isso que faz com que o Vasco continue a crescer e conquistando pontos nos campeonatos.
Te surpreende esse momento do futebol gaúcho?
– Não surpreende porque nosso campeonato é muito competitivo. Toda gente dizia que a Chapecoense já estava na segunda divisão, mas está lutando e vai lutar até o final. Isso mostra a capacidade que nossas equipes têm no campeonato, de poderem não surpreender, mas serem competitivas. Isso é fantástico para a imagem que queremos dar para a Série A.
O que você pensou no primeiro gol do Grêmio? O que te levou a pensar que seria capaz de virar?
– Não preocupou demasiado, porque eu senti que era um momento emocional para as duas equipes. Porque o Grêmio sabe, que, perdendo para nós em casa, iria perder uma vantagem em confronto direto conosco. Eu, honestamente, nessa fase não gosto de olhar muito para a tabela. Porque isso cria fantasmas na minha cabeça e, inconscientemente, passa para os meus jogadores. Portanto, nesse momento temos que fazer o nosso trabalho. A cada jogo temos que ter a capacidade de conquistar pontos. Isso determina muito o que é ambição que queremos para a nossa equipe. Grão a grão, vamos aumentando nossa pontuação e subindo na tabela, que é o que pretendemos. Não podemos fazer tudo em uma semana ou duas, isso é um trabalho continuado. Temos que ter estabilidade. Isso sem dúvida é o foco da nossa tarefa.
– Viemos a Porto Alegre com respeito que temos de 20 anos sem conseguir vencer aqui, de nove jogos na Arena do Grêmio com nove derrotas, e isso sem dúvida pesa. Também pesa par ao Grêmio no momento em que quer segurar o jogo, vendo que estávamos crescendo. Isso faz parte do jogo também. Estávamos criando e cercando a área. Isso levou a parte emocional. Nós fomos fortes nesse aspecto. Tenho que dar parabéns aos rapazes porque não desistiram daquilo que acreditamos que é o melhor para conquistar os três pontos, eles têm muito mérito nessa vitória. É a primeira vitória fora, queremos repeti-la mais vezes.
O que falou no intervalo para o Vasco voltar melhor no segundo tempo?
– Vou dizer muito simplesmente que foi só os jogadores focarem naquilo que eram suas tarefas. Eles tinham papéis específicos para desempenhar no jogo. Eles tinham que fazer isso com um cadinho mais de agressividade. Era isso que tínhamos que fazer. Agressividade não é fazer falta ou bater no adversário, é a forma como disputamos cada lance, com ou sem bola, e como reagimos depois de perder a bola, como nos reagrupamos e defendemos em conjunto. Tudo isso faz parte da agressividade. Pronto, foi só isso que foi necessário. Nos primeiros minutos, vai compreendendo o jogo e começa a ganhar novamente confiança. Com a introdução de outros jogadores para dar mais capacidade de circular a bola e encontrar o espaço livre, ganhamos a confiança e fizemos o gol. Saiu aos 30 minutos, isso também foi um exercício de paciência. Felizmente conseguimos fazer. Isso já tinha acontecido contra o Santos, e não foi bem sucedido. Com o Palmeiras a mesma coisa. Mostramos que a equipe tem capacidade de se manter focada no jogo.
Como você administra o número de estrangeiros no elenco?
– Vocês estão fazendo perguntas interessantes, é importante esclarecer isso. Nós fazemos um plano para cada jogo, para cada adversário que vamos enfrentar. Em função disso, eu faço a escolha dos nossos atletas. Vieram oito estrangeiros, poderiam ter vindo nove. Imagina que estivéssemos ganhando o Grêmio no momento 70, se calhar não entrava o Jair e entrava o Barros. Mas se tivesse vindo Jair, Barros, mais o Rojas e mais algum, alguém ia ter que sair. Isso tem a ver um cadinho com isso. Por vezes vou poder trazer dois ou três jogadores diferentes para a mesma posição e, por vezes, tenho que definir o que pretendemos. Os jogadores sabem disso. Temos um plano, é importante eles saberem isso, que não há lugares garantidos. Há situações, performance, desempenho, tudo isso tem que ser em função da equipe. Quem contribuir mais para a equipe vai jogar mais vezes. A escolha foi feita dessa maneira.
Vai com força máxima contra o Santa Fe?
– Eu não sei o que vocês entendem como time misto (risos). Para mim, é escolher os que estão mais dispostos pela equipe, que têm mais capacidade de fazer nossa equipe competitiva. Mesmo que, para isso, tenha que trocar seis, sete, quatro. Isso demonstra a confiança que eu tenho nos meus jogadores. Nós temos que conquistar um troféu, estamos disputando duas copas. Não é justo eu abdicar isso porque meu grupo trabalha, se esforça para isso e merece esse tipo de recompensa. Para o clube, que tem tradição nessas copas e quer voltar a vencer. E para nossa torcida, que quer nos ver conquistar troféus. Tudo isso não permite a mim abdicar de nada. Com o elenco mais extenso, isso nos permite ter mais opções. Vai jogar a mesma equipe que jogou hoje na terça? Quase certeza que não. Quem eu vou tirar? Amanhã, depois de amanhã, em função do que é o adversário e das nossas necessidades, vamos procurar fazer as melhores opções. Espero eu ter a capacidade para fazer.
Consegue ver o Sosa e Jair atuando juntos?
– Nós vimos isso quando colocamos o Jair e o Lescano. Não vou esperar que o Lescano, quando entre, nos dê a mesma coisa que dá o Sosa. Pelo contrário, espero coisas muito diferentes. Da mesma forma que eu sei que parece mais complicado eu colocar Sosa e Barros do que eventualmente Sosa e Jair, só para dar um exemplo. Essa é a possibilidade que eu tenho neste momento. Tenho um bom grupo, já disse, no sentido de serem muito profissionais e exigentes naquilo que pretendemos. Mas, ao mesmo tempo, todos querem jogar, todos ficam chateados quando não jogam, chateados quando são substituídos. Eu gosto muito disso, isso revela que querem ficar. A ideia principal é fazer as melhores escolhas.
– De que forma eu jogo? Wu jogo muito em função das características dos meus jogadores. Vou ajustando meu sistema, 4-1-4-1, depois 5-4-1, outras vezes, como hoje, terminei no 3-5-2. Vou ajustando conforma a exigência do jogo. Nosso sistema é dinâmico. Com jogadores dessa qualidade, tenho mais funções. Isso é um prazer para mim, ajuda meu crescimento como treinador e nosso crescimento como equipe. Isso, para mim, é o interessante do trabalho do treinador, é tentar sempre tirar o melhor rendimento dos meus jogadores, em diferentes momentos. É isso que vamos ver com a dinâmica da nossa equipe.
Fonte: ge