Assista aos gols do ex-meia Geovani Silva, do Vasco, no Campeonato Carioca 1988
O futebol brasileiro perdeu, nesta segunda-feira, um de seus maiores talentos revelados na década de 1980. Morreu Geovani Silva, aos 62 anos, ídolo do Vasco da Gama, campeão mundial sub-20 e medalhista olímpico com a Seleção Brasileira. Natural de Vitória, no Espírito Santo, Geovani foi um dos maiores jogadores capixabas de todos os tempos e símbolo de superação dentro e fora dos gramados.
Nascido em 6 de abril de 1964, o meia começou a carreira ainda adolescente na Desportiva Ferroviária, mas foi no Vasco que escreveu as páginas mais brilhantes de sua trajetória. Estreou pelo time cruzmaltino em 1982 e logo caiu nas graças da torcida. Com a camisa vascaína, disputou 408 partidas e marcou 50 gols, conquistando cinco títulos cariocas e o apelido carinhoso de “Pequeno Príncipe da Colina” — uma referência ao seu talento refinado e sua presença marcante no meio de campo.
Além do sucesso em São Januário, brilhou também com a camisa da Seleção Brasileira. Em 1983, foi artilheiro e melhor jogador do Brasil campeão mundial sub-20. Em 1988, integrou o elenco que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul. Participou também da conquista da Copa América de 1989, compondo um meio de campo com nomes como Dunga, Silas e Valdo.
Geovani ainda atuou fora do país, com passagens por clubes da Itália e do México, antes de retornar ao Brasil e encerrar a carreira. Fora dos gramados, enfrentou seus maiores adversários. Em 2005, foi diagnosticado com câncer na coluna vertebral, além de complicações causadas por polineuropatia, o que o deixou por anos entre camas e cadeiras de rodas. No entanto, protagonizou uma recuperação inspiradora, voltando a andar, a praticar esportes e a se dedicar à vida pública.
No Espírito Santo, exerceu mandato como deputado estadual e, até seus últimos dias, atuava como vice-presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), onde defendia o fortalecimento das categorias de base e a valorização do futebol capixaba.
O “Pequeno Príncipe da Colina”
Aos 18 anos, fez sua estreia pelo time profissional do Vasco em 1982 e rapidamente conquistou espaço no elenco. Com visão de jogo apurada, precisão nos passes e habilidade com a perna esquerda, Geovani se tornou o cérebro da equipe que viria a conquistar o título do Campeonato Carioca daquele ano. O desempenho chamou a atenção da crítica e consolidou o jogador como uma das grandes promessas do futebol brasileiro.
Durante os anos seguintes, seguiu como peça-chave do time vascaíno. Em 1987 e 1988, foi novamente campeão estadual, comandando o meio-campo ao lado de ídolos como Romário e Mazinho. A combinação de talento e liderança em campo fez com que Geovani recebesse o apelido de “Pequeno Príncipe da Colina”, dado pela torcida em alusão à sua postura nobre e técnica refinada.
Em 1989, após sete anos defendendo o Vasco, Geovani deixou o clube para atuar no futebol europeu, sendo negociado com o Bologna, da Itália. Sua ausência, no entanto, seria temporária.
Três anos depois, em 1992, o meia retornou a São Januário para uma segunda passagem pelo clube. Mesmo sem o mesmo brilho da fase anterior, voltou a levantar a taça do Campeonato Carioca, encerrando sua história com mais um título e reforçando sua condição de ídolo cruz-maltino.
Ao todo, Geovani vestiu a camisa do Vasco em 408 partidas e marcou 50 gols, números expressivos que o colocam entre os grandes nomes da história vascaína.
Campeão mundial Sub-20, da Copa América e prata em Seul
A trajetória de Geovani Silva com a camisa da Seleção Brasileira começou de forma brilhante em 1983, quando foi o grande destaque da equipe que conquistou o título do Mundial Sub-20. Na competição, realizada no México, o meia foi eleito o melhor jogador do torneio e terminou como artilheiro, papel decisivo na campanha do Brasil. O desempenho chamou a atenção do país e do mundo, consolidando Geovani como uma das grandes promessas do futebol nacional.
Pouco tempo depois, ele foi convocado para a Seleção principal, onde atuou entre 1985 e 1991, acumulando 23 partidas e marcando cinco gols. Durante esse período, participou de amistosos, Eliminatórias e competições oficiais, sempre demonstrando técnica refinada e visão de jogo.
Em 1988, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Seul, na Coreia do Sul, integrando a seleção olímpica que conquistou a medalha de prata. Titular da equipe, Geovani teve participação importante na campanha, que terminou com a derrota na final para a União Soviética.
Os melhores momentos de Brasil 1 x 0 Argentina, pelas Olimpíadas de Seul 1988
No ano seguinte, em 1989, fez parte do elenco campeão da Copa América, disputada no Brasil. Foi um dos nomes do meio-campo daquela seleção que quebrou um jejum de 40 anos sem títulos continentais, jogando ao lado de Dunga, Silas, Valdo e outros nomes históricos. No ano seguinte, o então técnico Sebastião Lazaroni optou não convocar Geovani, que encerrou a sua passagem pela Seleção sem disputar uma Copa do Mundo.
Geovani jogou na Itália, Alemanha e no México
Após se destacar nacionalmente com a camisa do Vasco da Gama e conquistar espaço na Seleção Brasileira, Geovani Silva iniciou sua trajetória no futebol internacional em 1989, ao ser contratado pelo Bologna, da Itália. Atuando na competitiva Serie A, permaneceu no clube italiano até 1991.
Em seguida, ainda em 1991, transferiu-se para o Karlsruher SC, da Alemanha, equipe da Bundesliga. Embora tenha tido uma passagem mais curta, com somente 17 jogos disputados, Geovani marcou três gols e ajudou a sua equipe a escapar do rebaixamento naquela temporada.
Depois de um período de retorno ao futebol brasileiro, voltou a atuar fora do país em 1993, quando foi contratado pelo Tigres UANL, do México. No clube mexicano, jogou até 1994, contribuindo com sua experiência e qualidade técnica no processo de reestruturação da equipe, que à época disputava a primeira divisão do Campeonato Mexicano.
Retorno ao futebol capixaba, últimos títulos e fim da carreira
Após encerrar sua trajetória no futebol internacional e defender grandes clubes no Brasil, Geovani Silva retornou ao Espírito Santo em 1997 para atuar no futebol capixaba, onde iniciou sua carreira. A volta às origens marcou uma nova fase em sua vida esportiva, agora como referência e símbolo de experiência para os clubes locais.
Em 1997, passou a integrar o elenco da Rio Branco-ES, arquirrival do clube onde havia dado os primeiros passos como jogador profissional. No entanto, foi a partir de 1999 que voltou a se destacar em campo, vestindo a camisa do Serra. Naquele ano, foi peça fundamental na conquista do Campeonato Capixaba de 1999 e no acesso para a Série B do Brasileirão. Na campanha histórica, o time capixaba chegou a derrotar o Fluminense, no Maracanã.
No ano seguinte, em 2000, Geovani retornou à Desportiva e novamente fez história, ajudando a equipe grená a conquistar o Campeonato Capixaba. Em seus últimos anos de carreira, 2001 e 2002, o meia ainda passou por Tupy-ES e Vilavelhense.
Do gramado à política
Após brilhar nos gramados com a camisa do Vasco e da Seleção Brasileira, o ex-meia Geovani Silva decidiu encarar um novo desafio fora das quatro linhas: a política. Ídolo do futebol capixaba e nacional, ele usou a visibilidade e o prestígio conquistados durante sua carreira esportiva para atuar na vida pública e representar os interesses da população do Espírito Santo.
A estreia de Geovani na política aconteceu nas eleições de 2002, quando foi eleito deputado estadual pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Com forte apelo popular, especialmente entre os amantes do futebol e moradores da Grande Vitória, o ex-jogador obteve boa votação e assumiu o cargo na Assembleia Legislativa do Espírito Santo em 2003.
Durante o mandato, atuou em comissões e apresentou projetos com foco em áreas como esporte, juventude, inclusão social e saúde, temas com os quais tinha afinidade, especialmente após enfrentar sérios problemas de saúde nos anos seguintes. Embora sua atuação não tenha sido marcada por grande protagonismo legislativo, manteve-se ativo e presente no debate público, sempre defendendo o fortalecimento do esporte como ferramenta de transformação social.
Geovani tentou a reeleição em 2006, mas não obteve êxito nas urnas. Após deixar a política partidária, manteve-se próximo da administração pública e de entidades esportivas. Desde 2021, passou a exercer o cargo de vice-presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES).
Fonte: ge