Escritório de advocacia cobra 777 e diz à Justiça que Vasco fez reuniões para vender a SAF para José Lamacchia em 2024
Nos anexos do processo, protocolado no fim de maio deste ano, o escritório faz um relatório dos serviços que prestou à 777. Um deles chama atenção: o Campos Mello Advogados afirma que participou de reuniões e conferências entre março e maio de 2024 com um objetivo: tratar da potencial oferta do dono da Crefisa, José Roberto Lamacchia, para comprar a SAF do Vasco.
De acordo com o escritório, as reuniões da época envolveram 777, Crefisa e Vasco.
Um dos encontros, no dia 10 de maio de 2024, teve duração de 2h50 e, segundo o Campos Mello, contou com a presença de Josh Wander, sócio da 777 Partners; Nicolas Maya, então membro do Conselho de Administração da SAF do Vasco; e José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa.
“10/05/2024: [777 x CRVG] Diversas reuniões com Josh, Nicolas Maya, José Roberto Castro Neves, José Roberto Lamacchia e potenciais advogados para discutir: (i) a situação da 777 devido a todas as notícias na imprensa; (ii) como o processo nos EUA poderia afetar a Vasco SAF; (iii) a oferta de Lamacchia; e (iv) a contratação de um escritório de advocacia para a potencial ação judicial movida pelo CRVG”.
Cinco dias depois dessa reunião, a Justiça suspendeu o contrato com a 777 e deu ao Vasco associativo o controle da SAF.
Debate sobre posição de Leila Pereira
Em outro momento, no dia 20 de maio, já com o Vasco no controle da SAF, há uma nova reunião entre as partes, novamente para tratar sobre a oferta de Lamacchia e buscar alternativas “considerando a posição de Leila Pereira”, esposa do empresário e presidente do Palmeiras.
“20/05/2024: [777 x CRVG] Reunião com Lamacchia para discutir a oferta para adquirir o Vasco. Discussões sobre alternativas, considerando a posição de Leila no Palmeiras”.
O ge publicou à época que houve conversas entre 777 Partners e José Roberto Lamacchia pela SAF do Vasco. O acordo esteve próximo de ser concluído, pelo menos em termos financeiros. Mas não avançou justamente pelo possível conflito com a posição de Leila Pereira.
Na ação de cobrança à 777, o escritório Campos Mello sustenta que prestou serviços jurídicos à empresa ao longo de 2024, em reuniões, negociações, arbitragens e processos judiciais relacionados ao Vasco. Segundo o escritório, os honorários não foram pagos pela empresa.
Além da cobrança, os advogados pedem que a Justiça registre a existência da disputa judicial junto às ações da 777 na Vasco SAF, alegando receio de que eventual transferência dos ativos dificulte a recuperação dos valores cobrados.
Em nota, o Vasco afirmou que não comenta documentos produzidos por terceiros, como faturas e relatórios advocatícios da 777, e assegurou que a negociação das ações da SAF segue os protocolos de governança, compliance e segurança jurídica previstos para a operação. Confira a nota completa no fim desta reportagem.
Dois anos depois da negociação fracassada com José Roberto Lamacchia, o Vasco agora conversa com o filho do empresário, Marcos Lamacchia, para vender a SAF. O ge apurou que existe confiança em um acordo próximo. No entanto, as partes ainda realizam ajustes em contratos para que haja, enfim, a assinatura do memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês), que oficializaria a intenção das duas partes pela compra da Vasco SAF.
Veja posicionamento oficial do Vasco
“Em atenção à manifestação que nos fora formulada, a respeito de documento interno da 777, o Vasco da Gama esclarece que não comenta, não possui gerência e não emite juízo de valor sobre faturas, relatórios técnicos ou prestação de serviços advocatícios contratados privadamente por terceiras empresas (no caso, a 777 Partners).
O processo de transição e negociação das ações da VASCOSAF segue rigorosamente balizado pelas normas de governança corporativa, compliance e legislações vigentes, tanto da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), quanto do ordenamento jurídico nacional. Todas as eventuais salvaguardas contratuais, bem como análises de impedimentos ou conflitos de interesse de potenciais investidores, são tratadas nas esferas técnicas apropriadas e com auditoria independente, preservando integralmente a segurança jurídica da operação e os interesses da instituição. Boatos de bastidores ou vazamentos de documentos internos de terceiros não interferem no cronograma técnico de profissionalização da gestão do clube.”
Fonte: ge