Antes de estreia como treinador na 4ª divisão do Carioca, Souza levou elenco para conhecer Philippe Coutinho

Antes de estreia como treinador na 4ª divisão do Carioca, Souza levou elenco para conhecer Philippe Coutinho

Ex-Vasco, Souza vai estrear como treinador na Quarta Divisão do Rio 

Um ano e três meses depois da última experiência como jogador, Souza vai estrear em outra função no futebol nesta segunda-feira, às 14h45. O ex-volante do Vasco é treinador do FC Rio de Janeiro/Arouca, time que disputa a Quarta Divisão do Campeonato Carioca. O primeiro adversário é o Búzios, no Estádio Los Larios.

— Nos últimos anos de carreira na Turquia, eu sempre fui um líder. Automaticamente, dentro de campo, já você organizava time, o treinador me chamava para conversar sobre o que eu pensava da formação. Fui me acostumando a gostar disso e eu já praticava, para mim era um processo muito natural. Fiquei um ano aproveitando a família, fiz tudo o que tinha que fazer, mas agora eu já comecei a tirar as licenças da CBF e apareceu essa oportunidade para poder colocar em prática e ver se de fato é isso que eu quero, porque uma coisa é a teoria, outra coisa é você vivenciar. Estou gostando, estou relembrando meu início, todas as dificuldades que eu tive para me tornar um atleta. Para ser treinador estou passando pelo mesmo processo — contou Souza ao ge.

Churrasco com Coutinho

Revelado pelo Vasco e com passagens por Grêmio, São Paulo e clubes internacionais, Souza encerrou a carreira como atleta de uma maneira que não gostaria. Voltou ao time carioca em 2024, junto com os amigos Philippe Coutinho e Alex Teixeira, e pouco rendeu. Teve o contrato rescindido menos de um ano depois. Agora tenta usar suas conquistas e experiência para inspirar outros jogadores que sonham com a carreira profissional.

— Todo dia eu coloco na cabeça deles: “Vocês vão ser campeões, a gente vai ser campeão, vamos subir, vamos subir sendo campeões”. O que eu falo para eles é que só os campeões são lembrados. O resto acaba não sendo tão lembrado no futebol, e eles querem ser lembrados.

— Eles acham que eu sou meio louco, mas eu sou megalomaníaco. Eu acho que na vida a gente precisa ter ambições grandes. Se a gente não chegar nelas, a gente chega próximo delas, e o próximo delas já é maravilhoso. Eu falo para eles: “Eu tenho um sonho de ser campeão da Champions League como treinador”. E eu vou trabalhar para isso todos os dias até um dia chegar lá. Caso não chegue, se eu ganhar uma Premier, trabalhar na Europa e ganhar um campeonato bom, ganhar um Campeonato Brasileiro, para mim já está de bom tamanho. Mas eu sempre coloco o sarrafo lá em cima.

Para ajudar a inspirar o elenco do FC Rio de Janeiro antes da estreia no Estadual, Souza contou com a ajuda de um velho amigo. Ele convidou seus comandados para um churrasco em sua casa e levou Coutinho para conhece-los.

— Levei eles para ver meu museu que tem as camisas de jogadores que enfrentei. Messi, Ibrahimovic… Fiz isso para abrir a mente deles, mostrar com quem eles estão trabalhando, valorizar tudo isso. E, no final, o Coutinho apareceu. Chegou lá, abraçou, apertou a mão de todo mundo, brincou com eles e prometeu participar de um treino com a gente. Eu vou cobrar. Isso motiva muito esses meninos.

— Eu fui bem sincero com eles, falei que seria leviano e mentiroso dizer que 30% deles se tornariam um jogador profissional. Então, se 1% se tornar atleta profissional de futebol, já vou agradecer a Deus, porque é muito difícil. Mas eu fui sincero: se pelo menos 50% deles tomarem um rumo legal na vida como ser humano, porque a maioria deles vive em realidade muito difícil, seria uma conquista. O nosso intuito também é humano, é fazê-los refletir sobre a vida e tentar leva-los eles para um caminho diferente. Isso já vai me deixar satisfeito.

Dificuldades da Quarta Divisão

O ex-Vasco foi anunciado como treinador do FC Rio de Janeiro em julho. Além das partes estratégica e tática, Souza precisa lidar com outras demandas que a Quarta Divisão proporciona. O técnico tem ajudado financeiramente o grupo e usa seu nome para buscar apoio para a equipe.

— Aqui a gente é treinador, psicólogo, tem que buscar patrocínios. Requer muito de mim, porque eu fico quase o dia todo resolvendo essas coisas de arrumar recurso. No início agora, ajudei com dinheiro de passagem para os meninos, lanche, resolvendo questão de bola, de colete, enfim, é muita coisa. Mas é muito bom poder aprender com tudo isso. São muitas situações que a gente tem que agir como um psicólogo, alguém que ajuda eles a esquecer um pouco o problema de casa e focar aqui. Eu aceitei esse desafio já sabendo disso, eu tenho o costume de liderar pessoas, então estou só estendendo para o campo e tentando ajudar os meninos de todas as formas que eu puder.

Referências

— Eu trabalhei com muitos treinadores, mas tem um treinador específico que eu não trabalhei tanto, mas eu o observei muito, que é o Diniz. Tive oportunidade de trabalhar com ele um mês só no Vasco e comprovei tudo aquilo que eu já via de longe, um excelente ser humano e treinador. E o Luxemburgo, eu trabalhei dois anos com ele no Grêmio e me ensinou muito. Se eu conseguir pegar um pouco do Luxemburgo, que é a questão de campo, sabe muito bem arrancar o melhor do jogador, é um cara que no vestiário consegue motivar de uma forma sobrenatural. Já viramos muito jogo depois do intervalo, com ele chacoalhando a gente no vestiário. E aí pegar a parte tática do Diniz, que eu gosto muito, acho que assim eu estaria bem cercado.

Injustiça no Vasco?

Além de Souza, Alex Teixeira e Coutinho também rescindiram seus contratos com o Vasco. Coutinho alegou esgotamento psicológico e afirmou que a decisão de encerrar o ciclo foi tomada no intervalo de um jogo contra o Volta Redonda, após sofrer fortes cobranças e vaias da torcida.

— Não houve injustiça. Eu acho que existiu uma cobrança em cima daquilo que você pode oferecer. A torcida do Vasco cobrou muito de mim e dele porque sabia que a gente poderia dar mais. No meu caso, porque o Coutinho deu tudo que ele tinha. Eu acho que o contexto não ajudou muito e a torcida vai cobrar porque tem que cobrar. Criou-se uma esperança e as coisas não aconteceram por causa. Ele tentou dar o melhor, não aconteceu do jeito que todos nós pensávamos, mas levamos como aprendizado, e a gente tentou. Tanto dele quanto para mim fica uma gratidão tremenda por tudo que o Vasco fez pela gente. Ele só é o que é hoje por causa do Vasco. Eu só me tornei o que me tornei por causa do Vasco.

Coutinho vai voltar a jogar?

— Ele ainda está mantendo a forma, não decidiu o que vai fazer, até o chamei para vir treinar com a gente para ajuda-lo a manter o ritmo. Somos vizinhos, estamos sempre juntos, é uma amizade que a gente vai levar para a vida. Coutinho é um cara sensacional e que eu espero muito que ele consiga voltar, porque tem muita qualidade, tem muito para dar ao futebol. Como amante do futebol, queria vê-lo jogar mais um pouco, desfrutando da qualidade do futebol que ele tem.

Fonte: ge